MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Vejo, com muita frequência, alguns lances de jogos de futebol que são colocados como lances suspeitos. Muitas vezes, uma bola fácil, extremamente defensável, acaba no fundo das redes e outras vezes, um zagueiro acompanha, andando, um ataque que se aproxima de sua área. Sem contar com os famosos cartões amarelos e/ou vermelhos. No centro de tudo isso, não tem uma bola, tem casas de apostas. Os atores não são mais os jogadores, mas seus familiares ou amigos que vibram quando um fenômeno desses ocorre.

De uma hora para outra, o esporte mais popular do mundo ganhou contornos de um centro de escândalos onde, a manipulação de resultados e até a provocação para tomar cartão amarelo ou vermelho, passou a ditar o ritmo dos toques. No passado, havia suspeita de que um determinado jogador estava “vendido” ou tinha almoçado com alguém “suspeito”. Lembro de um caso assim com um jogador de futebol que eu conheci particularmente. Na semana de um jogo decisivo, ele foi visto almoçando com uma pessoa suspeita e foi afastado do elenco, sumariamente.

A Bet365 é uma das maiores, senão a maior, casa de apostas do mundo e os ingleses são pessoas com uma notável preferência à apostas. Os caras apostam em qualquer coisa, inclusive, o bolão que aposta na morte de Amy Winehouse foi algo extremamente “gordo”. O que parecia ser uma coisa para inglês ver, acabou sendo uma coisa visível nas quatros linhas dos nossos gramados ou envolvendo nossos jogadores, tanto no Brasil quanto fora dele.

O negócio tem um funcionamento relativamente simples: os jogadores recebem dinheiro para forçar determinadas situações numa partida de futebol, como tomar cartão amarelo, fazer um pênalti, marcar um gol contra etc. e tudo isso, muitas vezes, relacionada com o tempo da partida, ou seja, as pessoas apostam que um determinado jogador receberá um cartão amarelo até os 15 minutos de jogo, por exemplo;

Salvo engano, em 2023 – não me recordo se polícia federal ou ministério público – foi deflagrada a operação penalidade máxima que revelou um esquema envolvendo jogadores de categorias diversa de futebol. A ideia era que os jogadores receberiam algo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para influenciar no desenrolar de uma partida e não precisa ser no placar, poderia ser nos cartões amarelos ou vermelhos. Observe-se que o jogador, recebe um valor nesse intervalo e as casas recebem bilhões. Nada mais simples.

Em 2023, numa das partidas suspeitas mais comentadas era de um jogador do Vila Nova que iria bater um pênalti e que teria recebido R$ 10 mil para esse feito. O escândalo foi imenso e os jogadores envolvidos nem participaram da partida.

O modus operandi era sofisticado: apostadores procuravam jogadores com a promessa de pagamentos em troca de ações específicas, como receber um cartão amarelo em determinado minuto do jogo. Com isso, movimentavam apostas no exterior que rendiam milhões. Não era necessário perder a partida — bastava cumprir o combinado e quando isso não acontecesse, as ameaças surgiam naturalmente, uma delas, pelo menos, foi interceptada pela polícia federal.

No Brasil, as suspeitas são firmes sobre um jogador chamado Paquetá que tem esse nome porque morou na região homônima do Rio de Janeiro e jogou na seleção brasileira. Membros da família dele apostaram que ele iria tomar cartão amarelo. Seu caso está sob investigação e outro tão famoso quanto, envolve o jogador Bruno Henrique, do Flamengo. O negócio está feio.

É lamentável que fatos assim sejam revelados todos os dias. No meu entendimento mudanças drásticas deveriam ser combatidas como remédios pesados, ou seja, teve seu nome envolvido num esquema dessa natureza? Então, meu jovem tu estás banido do futebol. Bastava isso.

Quem perde com isso é o torcedor do time. Ele se mobiliza para participar da partida, vai ao estádio, veste a camisa e no fim das contas, o resultado do jogo já está formalmente marcado. Já não basta os esquemas no congresso, bancados pelas empreiteiras? Não, não bastava! Era necessário mostrar que a gente pode estragar, uma paixão como o futebol.

9 pensou em “BOLA FORA

  1. É meu nobre Assuero, o mundo está de ponta cabeça, acabou os valores morais de certas figuras, isso no mundo todo, virou moda, nunca gostei de jogo de azar, tenho minhas dúvidas quanto a honestidade no processo dos sorteios.

  2. Caro Mestre Assuero.

    “BOLA FORA – Vejo, com muita frequência, alguns lances de jogos de futebol que são colocados como lances suspeitos.”

    Ah, meu caro “Mestre bestafubantino”:, mais uma vez, você “deu dentro”. Só com a frase da epígrafe, matou as dúvidas que temos vistos em nosso triste futebol da atualidade, onde os “chutadores de pelota”, ganham fortunas e ainda fraudam o jogo para o ganho-extra, por baixo dos panos.

    São também ladrões na forma da lei!

    E tenho dito. Não digo mais nada, porque num domingo tão arretado como este, quando, em meus plenos 89 anos de idiotice-explícita, eu estou aqui, lúcido, saudável e feliz, lendo sua crônica tão significativa, que logo retransmiti para os meus 92 “perseguidores”, pois este é meu Cadastro do grupo que titulei de: “CU-Correspondentes Unidos”.

    Receba meu abraço roxo, como diz o matuto.

    Seu admirador, Carlos Eduardo.

  3. Eita, Assuero: como sempre, seus comentários são um “gol de placa”. Na minha época (que lá longe se vai), quando éramos moleques que jogavam descalços e a bola era uma bexiga de boi, se a partida se aproximava do final e estava empatada, um pênalti a nosso favor era batido para fora, pois era uma vergonha ganhar um jogo devido a um pênalti. Isso é impensável hoje. Tenha um lindo final de semana cheio de saúde e paz.

    • Meu querido. Eu jogava aos domingos, no sertão, com sol a pino, num campo de terra. Era feliz que só e, nunca tive o desprazer de ter um amigo recebendo propina pra facilitar nada

  4. Pior que tudo isso é o processo de lavagem de dinheiro dentro do futebol.
    Todo mundo sabe do esquema milionário existente num grupo contando uns vinte clubes. Talvez os vinte maiores do futebol mundial, transferindo entre si jogadores, cujos preços excedem em muito o seu valor técnico. E há clubes brasileiros entre eles.
    Convocados para as suas seleções de forma sempre questionada, muitas dessas jóias do futebol duram alguns meses no novo clube, e já se transferem para outro, com poucos gols marcados e, há casos, de raríssimas vezes em campo.
    Quem está por trás disso tudo?

    • Junte a que ha na CBF com Havelange, Ricardo Teixeira, Ednaldo Rodrigues e talvez a gente desconfie de alguma coisa. Só não fale em público porque a CBF é protegida de Gilmar, não o goleiro .. o outro

      • Seu moderno texto me levou ao passado, a uma peça de teatro: Chapetuba Futebol Clube … Peça de Oduvaldo Vianna Filho Tudo de corrupto no Esporte Bretao lá estava

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *