BOA VISTA – SAUDOSA REPORTAGEM

A praça, a fonte, os pombos e a estátua de Clarice Lispector

O cenário de paisagens e fatos da década de 1940 volta à memória trazendo-me a satisfação de haver vivido dias tão agradáveis. residindo na Boa Vista, um dos bairros mais ativos do Recife. Ali conheci Chaya – Clarice Lispector, que tinha 16 anos. Dela ganhei um inesquecível beijo.

Por sinal, Capiba, também ali residiu, na Rua Gervásio Pires, 224, na antiga “Pensão de Dona Berta Nutels”, onde depois foi a Cooperativa Banco do Brasil, onde também foram hóspedes os estudantes que teriam fama: o compositor Carnera (Felinto Nunes de Castro Alencar) e os rapazes da família Suassuna: Ariano (advogado, professor e escritor), Saulo, João e Marcos (médicos).

Por se tratar de fato histórico, vale assinalar que a PRA-8 fora criada a partir de um clube de radiófilos – estudantes de radiotelegrafia – dentre os quais Oscar Moreira Pinto e Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba.

Aproveito esta data para homenagear a memória de Clarice Lispector, (foto) jovem que conheci quando ainda nem me entendia de gente, pois tinha seis anos.

Minhas primas Nicinha e Yeda me levavam à Praça Maciel Pinheiro, a fim de que eu corresse ao lado da fonte, ver os pombinhos e andar de velocípede.

Ali elas se encontravam com suas amiguinhas, dentre elas Chaya Pinkhasovna, filha de gringos ucranianos; brasileira naturalizada, que adotou o nome de Clarice Lispector e se tornou uma das maiores escritoras brasileiras.

Numa daquelas tardes ganhei um beijo na testa e afagos, de Chaya. Mal sabíamos que muitos anos à frente, o mesmo destino teríamos: a literatura.

Aproveito estas notas para citar alguns personagens de relevo na cultura de Pernambuco, que viveram na Boa Vista, marcando fatos históricos pouco conhecidos pela geração atual.

O tempo de 1940 era uma época dolente. As pessoas andavam a pé e sem pressa. Todo mundo se conhecia pelos nomes. Hoje o cenário volta à memória trazendo-nos a satisfação de haver vivido dias tão agradáveis.

O local, em termos de casario, não mudou quase nada. Na Rua da Alegria residia a Família Maranhão, cujos membros eram ligados à intelectualidade: Luiz Maranhão (teatrólogo e jornalista); meu tio Xavier Maranhão, que era advogado, assinava a “Crônica do Meio Dia” na única emissora que havia no Estado: a Rádio Clube de Pernambuco.

A professora Maria Luiza Maranhão Guimarães, era esposa um dos primeiros cômicos de Pernambuco – Salomão Absalão – cuja identidade era Ary Guimarães. Vale acrescentar que fazia sucesso naqueles tempos o programa “Dona Pinoia e seus Brotinhos”, estrelado por José Santa Cruz, Chico Anysio e Aldemar Paiva.

Clarice com o jovem Antonio Carlos Jobim e um dos livros, lançado em 1964, editado em 22 línguas

5 pensou em “BOA VISTA – SAUDOSA REPORTAGEM

  1. Caro Paulo,

    Escrever memórias é um tipo de divertimento incomparável para aqueles que gostam de literatura. Buscar o passado é trazer para o Hoje os bons instantes vividos Ontem. E assim vamos juntando os dois tempos para fortalecer as “defesas”, formar barreira contra o virus e viver com a graça de Deus. Obrigado por sua leitura e a gentileza do comentário.

  2. A Praça Maciel Pinheiro é um dos recantos mais agradáveis do Recife. Você está no fuzuê da Av. Conde da Boa Vista e em poucos passos depara com a Praça, senta num daqueles bancos frente a fonte d’água e ao lado de Clarice com sua máquina de escreve no colo

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