Com letras bem redondinhas, recebo de uma jovem desconhecida dois questionamentos: “Professor: por que há tanta gente que se imagina mais importante que Deus, embora aparentando uma humildade que destrona até São Francisco de Assis?” “E por que tanta bazófia de Trump e de seus puxa-sacos babaovistas brasileiros, com tarifaços e ameaças à Soberania Brasileira?”
Essa de “ser muitíssimo orgulhoso de uma extremada humildade”, tática manjadíssima para passar toucinho em focinho de gato, só se expande nas regiões onde os emocionalismos exagerados esmagam qualquer mínima racionalidade. Ainda outro dia, assistindo pela TV um treino da seleção brasileira, vi quando umas garotonas pularam o alambrado e saíram correndo para dar umas pegadinhas nos nossos craques mais famosos, o lugar alcançado a depender do tamanho do braço e da intenção pretendida.
Quando vejo um fulano aparentar postura recheada de “portentosa humildade”, fico a rememorar Henry Louis Mencken, um jornalista gota serena de ótimo da vida norte-americana da primeira metade do século passado, que abominava sentimentalismos, religiosismos, fricotes e cavilações, dando nome aos bois e contando o caso como o caso foi, como fazia o saudoso amigo Paulo Cavalcanti, esse comunista muito ético, hoje a discutir imperialismo e mais-valia com o Chefão, nos píncaros da Fachada Eterna.
Quanto à hipocrisia, valho-me do que aconteceu em uma das últimas novelas televisivas noturnas: uma mocinha, sofrendo desesperadamente porque ainda não tinha dado o rádio a alguém, implorava a compreensão de alguns para que lhe fizessem o obséquio de inaugurar a sua latinha, para que ela pudesse dar continuidade ao seu viver social de gente muito civilizada.
De resto, caríssima perguntadora, é recordar o Mencken, que tanta falta está fazendo nos tempos de agora: “Mostre-me um puritano e eu identificarei nele um filho da puta”; “Passou a ser legal que uma mulher religiosa recorra à matemática para evitar a gravidez, mas continua sendo-lhe vetado recorrer à Física ou à Química”; “Quando os fanáticos tomam o poder, não há limites para a opressão”.
No mais, prezada jovem, é continuar a ser você mesma, com suas perplexidades e boas iniciativas, sempre lembrando-se de que esta é uma terra maravilhosa, males existindo em todos os cantos e recantos do mundo. Afinal de contas, quem matou Daniela Perez não foi um rapaz nordestino. E quem dá uma lambida em Trump também não é um pé-rapado do interior, embora lambecusista de criminosa desnacionalidade.
Perceba-se sempre evolucionária, com criticidade e bons balizamentos éticos, sempre diferenciando espiritualidade concreta de religiosidade fingida.
É muito pedantismo para escassa finalidade. Não precisa de tanta firula, exibição de “cultura” e vocabulário para disfarçar a evidente tendência ideológica. Dá para fazer muito mais com muito menos…
O caro colunista Fernando parece que está sentindo junto a trolha que o Laranjão está enfiando no Ovo-que-tudo-vê, que foi estendido ao Corno de Caetés.
Calma que está só começando.
O povo brasileiro vai sofrer? Sim, mas quanto pior a doença, pior o remédio e o tratamento.
Depois da eleição fraudada de 22, somente com quimioterapia para curar o estrago feito.
Fica dom Deus e se resigne ao tratamento, meu caro colunista. Resistir fará doer mais.
Esqueci de destacar esta frase;
“Afinal de contas, quem matou Daniela Perez não foi um rapaz nordestino. E quem dá uma lambida em Trump também não é um pé-rapado do interior, embora lambecusista de criminosa desnacionalidade.”
Quanta xenofobia, quanto preconceito, quanta divisão do país, falta de compostura.
Em certa idade já não convém estas coisas.
Parabéns pela sua estupenda inteligência analítica!
Equivalente à de Castro Alves!
Repito o que já está dito, em certa idade, já não convém ironias.
Boa semana!
A lucidez em tempos difíceis no Brasil vai ao plano espiritual deixando um legado de inteligência e sabedoria sobre os problemas políticos partidários. Uma voz incomparável que jamais será esquecida. O Brasil neste momento sentirá muito a sua presença física, entretanto o seu grande espirito continuará entre nós. Paz e luz grande HOMEM.