PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Recordo: um largo verde e uma igrejinha,
um sino, um rio, um pontilhão e um carro
de três juntas bovinas, que ia e vinha
rinchando, alegre, carregando barro.

Havia a escola, que era azul e tinha
um mestre mau, de assustador pigarro…
(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha.
quando estas cousas tão singelas narro?)

‘Seu” Alexandre. um bom velhinho rico
que hospedara a Princesa; o tico-tico,
que me acordava de manhã, e a serra

com o seu nome de amor: Boa Esperança…
Eis tudo quanto guardo na lembrança
da minha pobre e pequenina terra!

Bernardino da Costa Lopes, Rio Bonito-RJ (1859-1916)

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