PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde tímida e lavada,
Eu saía a brincar, pela calçada,
Nos meus tempos felizes de menino

Fazia, de papel, toda uma armada;
E, estendendo o meu braço pequenino,
Eu soltava os barquinhos, sem destino,
Ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais:
São feitos de papel, são como aqueles,

Perfeitamente, exatamente iguais…
– Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Andrade de Almeida, Campinas-SP, (1890-1969)

2 pensou em “BARCOS DE PAPEL – Guilherme de Almeida

  1. Estou feliz, após 60 anos encontrar a poesia Barcos de Papel, que tanto me encantava e fazia meus barcos de papel e soltava após as chuvas!!!

  2. Pingback: ENCONTROU NO JBF | JORNAL DA BESTA FUBANA

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