FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Ainda hoje sinto saudades mil de um irmão um pouquinho mais velho que eu, chamado Hélder Câmara, que costumava afirmar que “conversa franca faz bons amigos.” E é a partir desse princípio saudável e com muita crença no futuro da Humanidade, que desejo um sucesso arretado de ótimo para a COP30 que se instalará amanhã em Belém, no Pará. Que os debates sejam amplamente estruturadores sobre as potencialidades ambientais do planeta, sem histerismos nem sectarismos ideológicos, sem populismos baratos, nem interesses vulgares, tampouco resoluções bolorentas.

Manifestar-se sem dogmatismos, eis um bom lema para uma COP30 que deseja buscar saídas permanentes e concretas. Para desmascarar, inclusive, alguns mandatários que se imaginam donos do mundo, ainda que contemplando miopemente seus próprios umbigos.

O cientista social Oscar Lewis, aponta algumas características econômicas, psicológicas e sociais desse futuro desejado. Segundo ele, a tipicidade da cultura dos pobres se encontra refletida na luta constante pela vida, no desemprego, nos baixos salários, nos empregos não-especializados, no trabalho de crianças, na penúria crônica da liquidez monetária, na ausência de reservas nutricionais, na dependência de financiamentos, no alcoolismo, no recurso frequente à violência para acertar disputas, nos castigos corporais nas crianças, no abandono de mulheres e filhos, na predominância do autoritarismo machista, numa quase única preferência pelo presente e numa impossibilidade orgânica de adiar para um amanhã próximo os mais simples projetos.

Atrevo-me a enumerar alguns balizamentos indispensáveis para os amanhãs das COPs:

a. Terá espírito puramente negocista toda discussão que não levar na mais alta conta as chances de sobrevivência cidadã de todos os segmentos societários do mundo, respeitando-se sempre a Vida no seu sentido o mais abrangente possível.

b. Uma nova atitude para com a natureza também se faz necessária, mormente quando o planeta inteiro proclama os seu direito de sobrevivência.

c. A solidariedade humana deve ser entendida como uma maneira de se ensinar todos a pescar, sendo necessário, sempre que houver ocasião, proclamar que a educação para todos, mormente a educação básica de eficaz conteúdo, amplia a cidadania e fortalece os direitos e deveres das comunidades.

d. Um programa permanente de capacitação empresarial, através dos mais diversos estímulos promocionais, ampliará a compreensão dos empreendedores mundiais acerca das questões sociais básicas, todas elas necessariamente relacionadas com o binômio economia x sociedade.

e. Um amplo, consistente e não-direcionado mecanismo de incentivo à participação política deverá sempre estar presente em todas as linhas comportamentais mestras das empresas, entendendo-se como participação política o envolvimento de todos nas suas áreas profissionais.

No mais, que todos os integrantes da CP30, nos seus países de origem, saibam bem diferenciar espiritualidade e teologia do domínio, esta entendida como um reconstrucionismo cristão de extrema-direita, intrinsecamente fundamentalista, já com alguns integrantes militando no atual Congresso Nacional do Brasil.

Um comentário em “BALIZAMENTOS PARA A COP30

  1. COP-30. De relevantes, vieram o Machon e o futuro Rei da Inglaterra.

    O primeiro, muito fraco na frança, veio para talaricar o Corno de Caetés, o segundo por ser um ambientalista de castelo.

    O povo? Este não está nem aí.

    Quanto ao clima deste planeta de 4 bi de anos?

    A Terra já recebeu impactos de asteroides de 10 km, teve erupção de vulcões que deixaram o ambiente sem a luz solar por anos, passou por eras glaciais, secas.

    Não será a ação dos homens nos últimos 250 anos que o fará quebrar.

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