CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

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Há tempos, conversei com Miguel Meira de Vasconcelos, meu amigo, Presidente do Centro de Estudos de História Municipal de Pernambuco sobre a importância das pesquisas jornalísticas.

Lembrou-me ele sobre a obra monumental do saudoso jornalista Luiz do Nascimento: História da Imprensa de Pernambuco, abrangendo o período de 1821 a 1954, composta em múltiplos volumes, produzido pela Editora Universitária da UFPE.

Abordamos a sistemática da participação dos jornais locais e as influências circunstâncias daquelas folhas, nos vários momentos da atualidade brasileira, tanto na política quanto na economia, na sociedade, na educação e na geografia da Capital.

E tendo conhecido aquele dedicado colega durante uma das reuniões do Centro, conversamos bem à vontade e lhe passei algumas duplicatas de pequenos jornais informais, nos quais tive pequenas participações.

Um deles, do Colégio Universo, de Olinda – que titulei: Universo Noticioso; outro, do Colégio Moderno, de Afogados, que tomou o nome de Folha Afogadense, e finalmente um que motivou a preservação da Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, de nome pitoresco, mas abordando temas sérios: o Danado de Bom. De todos guardei mais de um exemplar.

E há poucos dias, trocando ideias com Phillippe Gusmão, amigo e intelectual pernambucano, residente no Rio de Janeiro, falamos sobre os jornais impressos e os digitais, dizendo-me ele:

Hoje, a cansativa leitura digital, imposta pelo “avanço” da tecnologia, aliada à pressa e o imediatismo das nossas atribuladas vidas, nos provoca desânimo e cansaço.

Sinto até descrença do conteúdo, o que faz com que quase nunca nos aprofundemos nas leituras, tanto pelo teor tendencioso, quanto pelas “fake news” plantadas.

Sinto saudade dos jornais autênticos onde, somente os editoriais expressavam o pensamento dos donos ou de alguma corrente social.

Sinto saudades da maior pureza e transparência dos jornais e revistas de antigamente e da atmosfera de novidades e descobertas, que a compra e a leitura de cada um deles nos proporcionava.

Lembro-me das edições encorpadas do Jornal do Commercio e do Diário de Pernambuco, repletos de conteúdo de qualidade. Lembro-me do caderno especial deste último, intitulado Clube das Leitoras. E da expectativa criada pela chegada às bancas, ou em casa por assinatura, das revistas O Cruzeiro, Manchete, A Cigarra, Revista do Rádio, Fatos & Fotos e outras.

Mas esse tempo passou. Estamos agora na era da Internet, dos sites e dos blogs, do YouTube e do WhatsApp; com notícias e conteúdo novo minuto a minuto brotando dos nossos “smartphones”. Eles regem o nosso dia-a-dia de uma maneira escravizadora, mas apagaram completamente o brilho e o prazer da busca pela informação!

Somos agora, espécie de autômatos amestrados, ávidos por conteúdo, mas sem saber o que fazer com ele; sem raciocinar, sem filtrar e pior, sem tirar qualquer proveito, na imensa maioria das vezes!

Pelos comentários do meu observador e sábio amigo, não podemos deixar de reconhecer que na verdade somos, hoje, apenas autômatos amestrados.

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