MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Eu acredito que Paulo Maluf, até mesmo por sua formação em engenharia, era um dos políticos que conseguia atrair a atenção da plateia quando discursava pela capacidade que ele tinha de dizer quanto de asfalto foi concluído, quais os gastos com determinados obras etc. verdadeiros ou não, Maluf passava isso como uma capacidade natural de um gestor, de um bom gestor. Ciro Gomes copiou esse modelo malufista, mas com uma diferença gritante: Ciro Gomes se acha o suprassumo da inteligência humana, arrota arrogância e fala um monte der merda. Enquanto Maluf se baseava na sua capacidade de engenheiro, Ciro se cerca de dados, alguns corretos, para deturpar determinados cenários.

Manipular dados estatísticos não é uma coisa nova. Mostrar apenas o que interessa politicamente é praxe para quem precisa de votos. Todos devem se lembrar da famosa entrevista de Rubens Ricupero, ministro do governo do governo Itamar Franco, que foi pego pelas “parabólicas” dizendo a Carlos Monfort que “o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde”. A intenção era eleger FHC, presidente e ele, por isso, também ganhou uma boquinha no governo FHC. Usar esse tipo de expediente, traz impacto direto na formulação de políticas públicas e, principalmente, na manutenção absurda de pessoas no poder. Não preciso lembrar que o atual presidente mentia sobre o número de crianças abandonadas, em estado de miséria etc.

A manipulação de dados causa impactos importantes na população, influencia a opinião pública, principalmente quando se apoia em coisas que são ditas pelos grandes canais de televisão e o efeito é sentido nas diretrizes da nação. Em termos práticos, a manipulação de dados consiste na distorção, omissão ou interpretação dos resultados de forma viesada ou tendenciosa – para usar um termo estatístico coerente – na tentativa de validar, sustentar ou legitimar decisões políticas ou cientificas, não importa.

Tome como exemplo as pesquisas eleitorais. Falando de forma rigoroso, matemática, a intenção de votos de um candidato é baseada no percentual de votos foram declarados a eles e a esta proporção soma-se e subtrai-se o erro padrão. O tamanho, mínimo, de uma amostra para dar garantir uma determinada margem de erro (2% pontos percentuais para mais ou para menos) e confiabilidade, são critérios bem disseminados na literatura, no entanto, diante das últimas pesquisas feitas no Brasil, eu prefiro acreditar em horóscopo, tarô, numerologia e búzios. Lula por exemplo, teve 51,90% dos votos, mas não consegue andar na rua livremente.

Em diversos países já forma observados casos de manipulação “braba” de dados. Na antiga União Soviética, as estatísticas oficiais eram manipuladas para demonstrar que o comunismo era melhor do que o capitalismo. Lá se pegavam, cuidadosamente, dados da produção agrícola e industrial, pegavam o índice de qualidade de vida e inflavam esses indicadores com o intuito de reforçar essa narrativa. Os dados eram, meticulosamente, selecionados. Dessa forma, destaca-se a imagem de sucesso do regime, mas as falhas estruturais, as reais condições de vida, eram omitidas. Esse tipo de comportamento, dificulta até mesmo o próprio sistema na correção de problemas internos.

Não custa lembrar que durante anos e anos, eu diria até desde quando Fidel Castro implantou a revolução em Cuba, que todos nós sabemos que lá existe a taxa de mortalidade infantil do mundo. Eu era um profundo admirador dessa política, no entanto, o país não registra óbitos de crianças com idade inferior a 6 anos. Assim, é muito bom vender uma imagem salutar de bem-estar, de avanço econômico e social, quando os fatos mostram um país à beira de uma falência generalizada.

Esse tipo de atitude também se faz presente no campo científico. Durante a Covid-19, diversos países, os dados epidemiológicos de diversos países foram apresentados de forma seletiva. Sempre se desconfiou muito dos dados da China nos que diz respeito a denúncia de subnotificação de casos e de mortes. Situações semelhantes foram observadas, também, no Irã e na Coreia do Norte, onde as estatísticas oficiais não batiam com relatos independentes. A coisa foi tão feia que o laboratório Lancet, um dos mais renomados do mundo, teve que “despublicar” um artigo científico pela falsidade dos dados.

Na Argentina, o governo passou a intervir no Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) por conta da inflação oficial que era, sistematicamente, menor do que sentida pela população, ou seja, a imagem de estabilidade econômica era uma grande farsa que impactou na desconfiança do mercado e chegou, inclusive, a elevar a taxa de juros por conta o risco-país.

Com Hitler, a Alemanha também divulgou números seletivos emprego, produção e crescimento econômico etc. tudo com o objetivo de dar uma conotação de prosperidade ao regime, mas dados sobre perseguições aos judeus, corrupção desenfreada dos generais da gestapo, por exemplo, eram omitidos ou completamente falsificados, servindo ao projeto ideológico do Terceiro Reich.

Atualmente, a prática continua vigente e envolvem governos e partidos políticos que, muito comumente, selecionam indicadores que reforçam suas propostas e deixam de lado dados que apontam para falhas ou ineficiências. Esse procedimento é tratado como cherry picking (colher cerejas) e é, infinitamente, aplicado em períodos eleitorais, quando as disputas se intensificam. Narrativa. Vale tudo.

Em resumo, a manipulação de dados estatísticos é um problema global e atemporal, que compromete qualquer área do conhecimento e está duramente presente na política. É extremamente difícil, mas cabe à sociedade denunciar essas práticas para fortalecer a questão da transparência, a accountability reforça a confiança nas instituições. A regra vigente deve ser: acesso irrestrito a dados independentes e a liberdade de imprensa. Sem ela, a nação é apenas um protótipo.

2 pensou em “MANIPULAÇÃO DE DADOS

  1. Caro Assuero, infelizmente essas pesquisas mostram números à gosto do contratante, o resultado final sempre tem uma desculpa para justificar os índices furados. Abraços!

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