MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Em quase todos os estados já temos candidatos definidos às eleições gerais de outubro próximo. Olhando, friamente, para o quadro, vê-se que ele é, infinitamente, desanimador. O Nordeste dificilmente se livrará o manto “sagrado” que lhe cobre há muito tempo. Em alguns casos, tem-se duas candidaturas onde os candidatos, abertamente, brigam pelo apoio do atua presidente. Alguns desses casos chamam bastante a atenção.

No Ceará, por exemplo, Ciro Gomes resolveu concorrer ao governo, mesmo tendo recebido um convite de Aécio Neves para participar da corrida nacional. Ciro, nas últimas eleições gerais, ficou em 3º lugar com uma quantidade de votos bem inferior ao seu ego. Agora, resolveu confrontar Elmano, governador atual, petista, bancado por Camilo Santana e com o estado entregue às facções criminosas, com indicadores de violência absurda, coroando-se, recentemente, com uma plantação de maconha de alguns hectares, coisa de dar inveja. Mas, rolo maior surgiu com a escolha do candidato ao senado. A chapa de Elmano queria que Cid Gomes concorresse para confrontar Ciro Gomes, mas até a semana passada, a posição de Cid era apoiar um candidato chamado Júnior Mano.

Como as coisas são esquisitas na política brasileira, a Polícia Federal divulgou que Júnior Mano estava envolvido em ato de corrupção, decorrente de desvios de recursos de emendas parlamentares cujo destino foi compra de votos. Não está só! Ao seu lado, tinha o prefeito de Xoró, Bebeto do Xoró, acusado de ser integrante do PCC e que, segundo as notícias, estava foragido. Não tem como acreditar na recuperação desse país com fatos dessa natureza.

Uma questão bem definida é o caso de São Paulo. Tarcísio de Freitas tem total condições de fechar essa conta no primeiro turno. Primeiro ele faz um governo competente, com entregas, projetos, investimentos bem definidos. Em segundo lugar, o adversário principal dele, ex-ministro da fazenda, não reúne as menores condições de governabilidade. Foi acusado pelo chefe se ser responsável pela famosa taxa das blusinhas. Aquela taxa sobre compras importadas que era responsável por 35% do faturamento dos Correios.

A atenção se volta para eleição ao senado. Simone Tebet e Marina Silva, se eleitas, irão contribuir para manutenção do estado de dependência do legislativo diante do judiciário. Enquanto não houver maioria da oposição no senado, a chance de um impeachment de algum ministro do STF é zero. Pior que isso, é a que o próximo presidente indicará 4 ministros para a suprema corte. Não é fácil. Se o presidente atual for eleito, seguramente, acabou para o Brasil.

Um ponto importante da oposição na campanha presidencial é a desagregação. A vaidade não permite que as pessoas se reúnam em torno de um projeto, mas em torno de nomes. No meu entendimento, poderia se construir um gabinete, a exemplo dos países parlamentaristas, e tratar da reconstrução do país. Não apenas do ponto de vista econômico e fiscal, mas de moralidade, de integridade, de visão do futuro. O melhor nome da oposição atualmente é, sem dúvida, o de Tarcísio de Freitas, por tudo que ele tem feito em São Paulo. Mas, a chance que ele teria seria muito reduzida pelo fato de ser conhecido mais nas outras regiões, embora isso não signifique nenhum óbice. Ele decidiu com base nas variáveis disponíveis: reeleição mais ou menos tranquila x candidatura com pouca chance de emplacar. Eu não acredito que Tarcísio seria indicado por Bolsonaro, por exemplo.

Quem quer seja o candidato da oposição, se quiser se eleito, precisará ter votos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste, em fração superior aos votos do nordeste, ou seja, vamos partir do pressuposto que a oposição terá, no nordeste, 20% dos votos válidos. Na eleição de 2026, teremos 158.765.463 eleitores aptos para votar, mas se considerarmos as abstenções em 20%, os votos válidos serão 127.012.370 milhões de votos válidos. Metade disso, representa 62,152 milhões, portanto, digamos que 50% dos votos válidos representam 63.506.185 votos, portanto, basta um voto a mais para se ganhar a eleição.

A região Nordeste tem 43.538.279 votos e 20% disso representa, 8.707.656, ou seja, vamos considerar que o presidente atual teria 34.630.623 votos. Isso significa que os votos das demais regiões terão que superar essa diferença. Se não fizer, adeus Brasil.

3 pensou em “ASSUNTO ATUAL

  1. Caro Assuero mais uma vez aqui com seus textos precisos. A humanidade é complicada, cada cabeça uma opinião, atos e atitudes diferentes. Penso eu que se o líder conservador estivesse pelo ao menos o direito de se pronunciar, nada disso estaria acontecendo, à falta de um comando no leme da embarcação em um mar revolto, torna-se o percurso infinitamente difícil, o sistema podre e corrompido sabe disso e atua para que continue assim. Acho o Tarcísio um exemplo de competência e honestidade, só que sendo ele o candidato, o que é essa militância junto com o que há de mais nefasto, fariam o diabo. Quanto às duas figuras candidatas ao senado por São Paulo, fico triste pois em seus estados de origens, não ganhariam uma eleição para síndica do condomínio onde moram. Abraços!

  2. Se os votos das demais regiões superarem a diferença dos votos a favor dos atual presidente da república, o candidato da oposição poderá sair vencedor. Se fizer, ficará aberto o caminho para a entrega da Amazônia, das terras raras, do etanol, e o fim do Pix.
    E adeus, Brasil.

  3. Corrigindo:

    Se os votos das demais regiões superarem a diferença dos votos NO NORDESTE a favor dos atual presidente da república, o candidato da oposição poderá sair vencedor. Se fizer, ficará aberto o caminho para a entrega da Amazônia, das terras raras, do etanol, e o fim do Pix.
    E adeus, Brasil.

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