JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Hoje quero enxugar meu gelo falando de Fé e de tradição. A Fé tem movido moinhos ao longo dos tempos – como o sermão de Moisés, ao descer com as tábuas dos Mandamentos e encontrar alguns seguidores que haviam acabado de atravessar o mar Vermelho em busca das terras prometidas (ato de Fé), adorando o bezerro de ouro (perda da Fé).

Pois, é essa Fé em algo ou em alguém, que garante a caminhada em sacrifício para Compostela ou, entre nós, para Aparecida, em São Paulo, ou ainda para Canindé, no Ceará. Essa, temos certeza, são “festas cristãs de muita Fé” na tentativa de cumprir alguma promessa feita.

Mas, aqui, neste momento, me proponho a dissertar sobre o profano – que mistura Fé e tradição com diversão.

Festa do Divino Espírito Santo

Altar-mor montado na Casa do Divino em Alcântara

Tudo começou muito antes de 1836, quando Alcântara foi, finalmente, elevada à categoria de cidade. Antes disso, passando pelos domínios dos franceses, holandeses e portugueses, a hoje cidade componente da Região Metropolitana de São Luís, tem população superior a 20 mil habitantes e se transformou um polo turístico.

Com área de 1.457,96 km2, considerada como cidade brasileira com o maior número de quilombos, Alcântara ocupou a região do golfão maranhense formada pelos rios Mearim, Turiaçu e Pindaré. Ainda tem relevância a formação da vegetação parte da floresta amazônica e uma imensidão de manguezais que insere a cidade numa área considerada de proteção ambiental das reentrâncias maranhenses.

Área considerada de muita importância para o turismo estadual é alcançada por um sistema de ferry-boats que realiza a travessia São Luís-Alcântara, cruzando a Baía de São Marcos, ligando a cidade de São Luís até o porto de Cujupe, em Alcântara, e encurtando a distância entre a capital e a Baixada Maranhense, transportando mais de 1,8 milhão de passageiros por ano.

Também é possível fazer a travessia em barcos menores e catamarãs, partindo do Cais da Praia Grande, na Rampa Campos Melo, no Centro de São Luís (próximo ao Palácio dos Leões), até o Porto de Jacaré–Terminal Hidroviário de Alcântara, em viagens em torno de 1 hora e 20 minutos, com partida conforme a variação da maré. Outra forma de acesso ao município, se dá pela MA-106.

Em Alcântara, há um Centro Espacial do qual são lançados os veículos lançadores de satélites no âmbito da Missão espacial completa brasileira. É o CLA – Centro de Lançamento de Alcântara. Na América Latina, o CLA é o único concorrente do Centro Espacial de Kourou situado na Guiana Francesa, mas, ao contrário deste, o centro espacial brasileiro não opera lançamentos constantes em razão de atrasos logísticos e tecnológicos.

Escolhida como Patrimônio Histórico Cultural Nacional, a cidade representa uma das principais riquezas culturais do estado. Apesar da decadência econômica do município a partir do final do século XIX, foi conservada parte de sua arquitetura colonial representada pelos inúmeros sobradões, casas mais baixas, igrejas, ruas estreitas e tortuosas e, principalmente, pelas inúmeras ruínas que demonstram o que foi essa cidade, que possibilita aos visitantes transportarem-se para uma época distante.

A Festa do Divino Espírito Santo no Maranhão é um dos muitos festejos que fazem parte da cultura popular do Maranhão, destacando-se como um dos mais importantes, por sua ampla difusão e pelo impacto que tem sobre a população.
Hoje, existem dezenas de festas do Divino espalhadas por todo o Estado, levando adiante uma tradição viva e dinâmica, em que se destaca a beleza do repertório musical.

É realizada no mês de maio ou junho, terminando no Domingo de Pentecostes, sendo que desde o Sábado de Aleluia, os festeiros começam a se preparar para o grande dia em que o Imperador recepciona seus convidados com um almoço e farta mesa de doce.

Teve sua origem em Portugal, com a construção da Igreja do Espírito Santo em Alenquer, no século XIII, por ordem da rainha Dona Isabel, a festa chegou ao Brasil no século XVI com os colonizadores.

“Caixeiras do Divino” representam a tradição

Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo com uma hierarquia no topo da qual estão o Imperador e a Imperatriz (ou Rei e Rainha), abaixo do qual ficam o Mordomo-Régio e a Mordoma-Régia, que por sua vez estão acima do Mordomo-Mor e da Mordoma-Mor. (OBS.: Algumas informações históricas extraídas do Wikipédia)

Festejo de São Raimundo Nonato dos Mulundus

Imagem representativa de São Raimundo Nonato

Vargem Grande é município do estado do Maranhão, com população que, segundo o IBGE seria superior a 60 mil habitantes. Pertencente num passado recente ao município de Itapecuru-Mirim, passou a Vila em 15 de maio de 1935 pelo decreto nº 832 e à categoria de cidade pelo Decreto-Lei Nº 45, de 29 de março de 1938, mas a formação política e jurídica do município de que é sede teve origem com a criação, em 1835.

Ainda uma pequena povoação, serviu de acampamento à Terceira Coluna, sob as ordens do major Feliciano Antônio Falcão, das tropas comandadas pelo coronel Luís Alves de Lima e Silva na repressão da Balaiada.

Antigo ponto de encontro das estradas de boiadas que vinham de Caxias e Itapecuru-Mirim, até hoje Vargem Grande, apesar de ser um grande centro de produção agrícola, demonstra sua forte vocação para pecuária. O município tem história, cultura e natureza.

Vaqueiro é personagem forte no festejo

Todo ano, a partir do dia 22 de agosto a Paróquia de São Sebastião, Santuário de São Raimundo Nonato dos Mulundus, em Vargem Grande – MA, realiza até o dia 31, o tradicional Festejo de São Raimundo Nonato dos Mulundus. São dez dias de festa com tema diferente a cada ano.

O festejo começa às 5 horas da manhã com o toque da alvorada, conduzida por Dona Nini, guardiã das liturgias da procissão de São Raimundo Nonato dos Mulundus.

Segundo a história, Raimundo Nonato era um homem fiel e temente a Deus, que ajudava todas as pessoas necessitadas de um pequeno povoado de Vargem Grande. No dia 31 de agosto de 1732, seu corpo foi encontrado com o pescoço quebrado ao pé de uma carnaubeira, com um doce aroma floral. Seu cadáver foi levado para ser velado, porém, dias depois, sumiu. Foi então que as pessoas começaram a crer que o corpo de Raimundo Nonato foi levado por Deus e que ele poderia interceder por suas preces.

Em 1832, aconteceu o primeiro festejo permitido pela Igreja Católica. De 1832 até 1954 os romeiros caminhavam até o povoado Mulundus, local da morte do Santo Vaqueiro, e de 1958 até os dias atuais é feita a procissão até o povoado Paulica, já conhecido por todos.

Segundo dados oficiais a cada ano cerca de 400 mil devotos de São Raimundo Nonato dos Mulundus chegam até a cidade durante o período do Festejo.

Festa da Juçara

“Maranhão, meu tesouro, meu torrão
Fiz esta toada pra ti, Maranhão
Terra do babaçu que a natureza cultiva
Esta palmeira nativa é que me dá inspiração
Na praia dos lençóis tem um touro encantado
E o reinado do rei Sebastião
Sereia canta na proa
Na mata o guriatã
Terra da pirunga doce
E tem a gostosa pitombotã
E todo ano, a grande festa da Juçara
No mês de Outubro no Maracanã”

Alcione Nazaré

Açaí no Pará e juçara no Maranhão

Chegou o mês de outubro e, com ele, a Festa da Juçara, que nos dias atuais conta com o patrocínio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), via Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O evento, que está na sua 55ª edição, segue por duas semanas do mês de novembro.

Segundo a organização da festa, a expectativa é receber cerca de 10 mil pessoas por domingo, no horário entre 12h e 23h. Além do domingo, o Parque da Juçara no Maracanã funciona de segunda-feira a sábado, das 9h às 20h.

Fruto da juçara, juçara líquida, camarão salgado, farinha de puba e mandioquinha

A Festa da Juçara é um evento tradicional do estado, que já acontece há mais de meio século, e é um evento em que o público, além de degustar a juçara, prato típico, pode estar em contato direto com a natureza e presenciar grandes atrações culturais do nosso estado.

O chamariz da festa com certeza é a juçara, mas o Parque oferece atrativos para o público. As apresentações culturais serão realizadas na arena principal e na praça de alimentação, onde também são servidos os mais variados pratos de juçara.

O litro da juçara será comercializado a 20 reais para viagem; com açúcar e farinha, a 35 reais; e com camarão, 50 reais.

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