AS BRASILEIRAS: Santa Dulce

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, BA, em 26/5/1914. Religiosa, adotou o nome de Irmã Dulce ao se tornar freira, em 1933, em homenagem a sua mãe falecida quando tinha 7 anos. O pai, Dr. Augusto Lopes Pontes, era dentista e professor da UFBA-Universidade Federal da Bahia. Ainda criança manifestou vocação religiosa e pedia orientação a Santo Antônio para saber se deveria casar ou ser freira. Aos 13 anos, tendo ajudado mendigos, enfermos e desvalidos, decidiu pela vida religiosa e procurou o Convento de Santa Clara do Desterro, mas, não foi aceita devido a idade. Voltou a estudar e foi transformando a casa dos pais num centro de atendimento aos necessitados.

A casa passou a ficar conhecida como “Portaria de São Francisco”. Em 1932 formou-se professora do curso primário e no ano seguinte entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, em São Cristovão, Sergipe. Em 13/8/1933, fez profissão de fé e recebeu o hábito de freira. Voltou à Salvador, passou a lecionar no colégio da Congregação e dar assistência aos pobres. Suas atividades não se restringiam apenas a ajudar. Tinha como objetivo criar instituições de auxílio e cooperação. Junto com o frei Hildebrando Kruthaup, fundou a União Operária São Francisco, em 1936, que deu origem ao Círculo Operário da Bahia. A finalidade da União era difundir cooperativas, promover a cultura dos operários e defender seus direitos. Era mantido com o dinheiro arrecadado por três cinemas construídos a partir de doações.

A inciativa deu suporte à inauguração do Colégio Santo Antônio, em 1939, para atender os operários e seus filhos. Hoje o Centro Educacional Santo Antônio (CESA) abriga mais de 300 crianças de 3 a 17 anos, com acesso a cursos profissionalizantes. No mesmo ano invadiu umas casas na Ilha dos Ratos para abrigar os doentes recolhidos nas ruas. Mas logo foram despejados e ela passou a perambular por lugares mais distantes na busca de lugar para abrigá-los. Sem outro espaço, encontrou um local desocupado no Convento, em 1949. Era um galinheiro desativado, que ela transformou em albergue, no qual alojou 70 pessoas. Em apenas 10 anos, esse galinheiro deu origem a Associação Obras Sociais Irmã Dulce-OSID, inaugurada em 1959 e no ano seguinte foi inaugurado o Albergue Santo Antônio. Hoje a OSID é um dos maiores complexos hospitalar com atendimento gratuito do Brasil, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do SUS-Sistema Único de Saúde.

Em 1983 foi ampliado, contando com 400 leitos. O Hospital Santo Antônio atende mais de cinco mil pessoas por dia. Para conseguir mão-de-obra especializada no atendimento, fundou a Associação Filhas de Maria Serva dos Pobres. Em 1980, na visita do Papa João Paulo II, foi convidada a subir ao altar para receber uma bênção especial. O Papa retirou do bolso um rosário, ofereceu-lhe e impulsionou seu trabalho: “Continue, Irmã Dulce, continue!”. Em fins de 1990, passou a sofrer com problemas pulmonares e enfrentou 16 meses de agonia. Foi internada no Hospital Português; em seguida foi transferida para uma UTI do Hospital Aliança, quando ordenou: “Quero morrer ao lado dos pobres”. Assim, foi para o Hospital Santo Antônio, onde passou toda a vida. Em 20/10/1991, recebeu a segunda visita do Papa João Paulo II, que lhe deu a extrema unção. Em 13/3/1992 veio a falecer aos 77 anos e foi sepultada no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia.

Posteriormente, foi transferida para a Capela do Hospital Santo Antônio, em cumprimento ao seu desejo. Considerada uma das mais importantes e influentes ativistas humanitárias do século XX, foi indicada pelo presidente José Sarney e pela rainha Silvia da Suécia, para receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1988. Em 2001, foi eleita a “Religiosa do Século XX” numa eleição promovida pela revista “Istoé”. Em 2012, ficou entre as 12 maiores personalidades brasileiras de todos os tempos, numa pesquisa feita pelo SBT-Sistema Brasileiro de Televisão. Em 2014, o Governo da Bahia instituiu a data de 13 de agosto como o Dia Estadual em Memória à Bem Aventurada Dulce dos Pobres. Em 2018 as “Obras Sociais Irmã Dulce-OSID” foi considerada a melhor organização não governamental da Região Nordeste e uma das melhores do Brasil.

No ano seguinte foi canonizada pelo Papa Francisco, mas para o povo de Salvador já era Santa Dulce desde o falecimento, em 1992. O processo de beatificação iniciou em 2000 e passou a tramitar na Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano. A validação jurídica do virtual milagre presente no processo foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003, quando ela recebeu o título de Serva de Deus, outorgado pelo Papa João Paulo II. Em 2009, a Congregação anunciou voto favorável reconhecendo-a como ”Venerável”. Tal votação obteve a unanimidade do colégio de cardeais, bispos e teólogos após a análise da “Positio”, um relato biográfico e resumos dos testemunhos dos milagres relatados no processo. Em seguida o Papa Bento XVI aprovou decreto de reconhecimento de suas virtudes. Em 2010 foi realizada a exumação e transferência das “relíquias” para sua capela definitiva, na Igreja da Imaculada Conceição, ao lado da OSID.

A beatificação se deu em maio de 2011, pelo mesmo Papa, por intermédio de Dom Geraldo Magella, em Salvador, último passo para a canonização. A partir daí passará a se chamar “Santa Dulce dos Pobres”, um adjetivo bem apropriado agregado ao seu nome. A canonização se deu em 13/10/2019, com base em 2 milagres certificados. O 1º ocorreu em 2001. Uma paciente, após o parto, apresentava um quadro de hemorragia não controlável e passou por 3 cirurgias num período de 18 horas sem que o sangramento estancasse. Só estancou ao término de uma corrente de orações, proposta por um sacerdote, pedindo a intercessão de Irmã Dulce. O 2º milagre foi a cura de um homem que passou 14 anos cego e passou a sentir fortes dores, devido a uma conjuntivite. Pouco antes de dormir, pediu a Irmã Dulce para que a dor fosse aliviada. Acordou no dia seguinte não apenas aliviado da dor, mas enxergando normalmente. O milagre intrigou os médicos, devido ao fato de mesmo após voltar a enxergar, os exames apontaram lesões que deveriam impedir o sentido da visão.

São quatro as exigências do Vaticano para reconhecimento do milagre e consequente canonização: (1) o fato tem que ser “preternatural”, ou seja, a ciência não consegue explicar; (2) instantâneo, ocorrer logo após a oração/pedido; (3) duradouro e (4) perfeito. A OSID, através de sua Assessoria de Memória e Cultura, contabilizou o recebimento de cerca de 10 mil relatos de graças alcançadas por intermédio da Irmâ Dulce. Sua canonização foi a terceira mais rápida da História (27 anos), atrás apenas de Madre Teresa de Calcutá (19 anos) e do Papa João Paulo II (9 anos). A celebração e festa da canonização em Salvador ocorreu num domingo ensolarado (20/10/2019) na Arena Fonte Nova. No ano seguinte e em todos os outros seu nome é festejado na Bahia todo dia 13 de agosto. Logo após a cerimônia, foram criados o Santuário Santa Dulce dos Pobres, no bairro Roma e a Paroquia de Santa Dulce dos Pobres, no bairro do Saboeiro, em Salvador.

16 pensou em “AS BRASILEIRAS: Santa Dulce

  1. Britão,

    Como sempre um ótimo traço biográfico da grande missionária.

    Durante muitos anos, com minha esposa, batalhamos em prol do Centro Espírita Irmã Angélica, de Olinda, mas nunca consegui saber coisas sobre a freira, que me parece também ter sido baiana.

    Fiz um boletim e reformei uma sala, botei isolamento térmico e deixei plano para rebaixamento acústico do teto, que foi feito por outro frequentador.

    Saímos de Olinda mas as orações continuam sendo dirigidas.

    E Imagine, uma freira titulando uma Casa Espírita!…

    Um abração,.

    • Carlão
      Estou certo que a freira não irá se aborrecer com seu nome numa casa espírita. Pois ela como católica também é espiritualista .Parabéns pela empreitada

      • Mas, espiritualismo não é espiritismo. O primeiro é quem acredita que existe alguma coisa além do corpo. O segundo é quem segue o pentateuco kardequiano, que vai além de acreditar que existe espírito. O kardecismo é fundamentado em observações, como a ciência. O espiritualismo tem rituais, como o candomblé, por exemplo, que não existe no espiritismo. A tal mesa branca, por exemplo, é uma pobre simbologia para dizer que o espiritismo não é o espiritualismo. O primeiro centro espírita foi a Casa Do Caminho, criado por Maria, mãe de Jesus, e por Paulo. Fazia exatamente o que Irmã Dulce fez.

        • Prezado Mauricio.

          O amigo faz certas afirmações por ouvir dizer, pois
          nós espiritas kardequianos, como o nosso e saudoso
          Chico Xavier não temos ligação alguma com a
          seita do Candonblé. Alguma coisa sim com a umbanda, apenas no gênero espiritual.
          O grande trabalho dos umbandistas é de elevar
          e dar tranquilidade espiritual àqueles que estão
          em desarmonia do seu espirito com os seus irmãos vivos ou mortos e que precisam ajuda espiritual.
          A verdadeira umbanda só faz o bem e procura ajudar e limpar os espiritos dos seres viventes
          com limpeza espiritual e conselhos.
          Derivado da umbanda e muitas vezes camuflada
          no seu interior existe a quinbanda, esta sim
          faz limpeza espiritual pesada, tiram o
          espiritos obsessivos e também podem fazer o
          mal, atendendo pedidos de viganças e outras
          maldades, o que não acontece na verdadeira Umbanda.
          Os kardequianos e ” a tal mesa branca ” ????
          são os verdadeiros espiritistas, assim como Chico Xavier, verdadeiro apóstolo da bondade, que
          jamais moveriam um dedo contra qualquer ser
          humano ou animal. Não preciso falar muito sobre
          o assunto, basta ler e seguir os ensinamentos do
          personagem de alma límpida e muito elevada.

          Quanto ao Candonblé , é necessário esclarecer que Candonblé não é nem nunca foi espiritismo ou espiritualismo. As pessoas confundem, porque tem
          alguma semelhança ritualística com a Unbanda,

          O Candonblé não encorpora o epírito de pessoas que já viveram na terra. As entidades do candonblé
          são ESPIRITOS DA NATUREZA, I.E., O FOGO, A ÁGUA, OS RAIOS, O VENTO, A FLORESTA, O MAR ETC..
          DUVIDO QUE QUALQUER MEMBRO DA SEITA DE CANDONBLÉ , ME DIGA QUE FALOU OU RECEBEU MENSAGEM OU CONSELHO falado
          DE QUALQUER EXU, ( a não ser pelo jogo de ) Buzios ) por exemplo, pois EXU de
          candomblé não fala, ,pois não é uma pessoa
          que foi um ser vivente na terra. O Candonblé é
          uma belíssima seita africana mal compreendida
          por alguns que ainda não entenderam a sua simbologia e ritual. Não digo todos, pois
          os seus membros atuantes nos grandes terreiros
          jamais confundem uma coisa com a outra.

          Desculpe o sermão, mas é necessário algum
          esclarecimento em assunto tão mal entendido.

          Se algum irmão espiritualista desejar responder e
          adicionar alguma informação ao que eu escrevi acima, será benvindo e recebido de braços abertos.

          Que Deus seja louvado.

          • Eu de cá fico contente em ter, com esta biografia concisa, provocado uma conversa de alto nível intelectual e espiritual, com a acréscimo de ter trazido nosso querido D.Matt para o conclave

          • D.Matt, você bebeu gasolina ou cheirou o mato errado, Primeiro, não falo por ouvir dizer. Fui palestrante durante 8 anos e diretor de divulgação doutrinária. Segunda quarta, terceiro sábado e última sexta de cada mês, uma palestra. Segundo, no desenvolvimento mediúnico aparecia um preto velho que ajudava bastante nas orientações. O espírito guarda a lembrança da encarnação que mais lhe traz emoções felizes e conheço muitos trabalhos de candomblé e de umbanda que tentam aniquilar o que é feito na quimbanda, que tem rituais mais grotescos como sacrifícios e “magia negra”. Quanto a mesa branca, eu sempre falei que isso era uma desculpa que as pessoas davam para não se dizer espíritas com medo do preconceito. Falava isso e mostrava a mesa do auditório do centro onde não tinha uma toalha sequer ou qualquer adorno. Fiz debate do livro dos espíritos, trabalhei o livro dos médius no desenvolvimento, o evagelho nas palestras posto que cada uma delas era baseada num capítulo.

            • Mauricio,
              você errou por pouco. Nunca bebi gasolina, mas sim muito vinho de qualidade e bom wisky importado,
              NUNCA FUMEI, portanto não estava nas nuvens quando escrevi o comentário acima.
              Você foi palestrante. Eu também, fiz palestras espiritualista e doutrina em centro espírita de Umbanda e
              nunca tive qualquer contestação.
              Concordo com você sobre os rituais na Umbanda e no Candonblé que desfazem muita
              maldade dirigida às pessoas ou
              também por acidentes da vida a
              pessoa que se encontra em um labirinto sem saida e então pedem socorro aos Umbandistas e também aos filhos do Candonblé que não negam auxilio a quem precisa.
              Não nego, mas desconheço qualquer centro kardequiano
              relaxado, sem ao menos uma toalha branca, sempre muito limpa, estendida na mesa onde sentam os médios que vão orar com suas preces , energias e orientação e
              trazem dos espiritos de luz mensagens e conselhos àqueles necessitados de
              acolhimento espiritual.
              Nós Kardequianos não precisamos de adornos , toalhas bordadas ou flores para praticarmos a nossa doutrina, também não precisamos de uma mesa, que é usada algumas
              vezes, mais pela praticidade do que pelo seu uso como um ritual de
              ” mesa branca “.
              Nunca encontrei um espiritualista kardequikiano que tivesse medo de
              preconceito de qualquer espécie,
              ou que dessem desculpas para
              não parecer espírita.
              Talvez o V.Sa tenha entrado na porta errada.
              Lí, não somente o livro dos médiuns, mas também todos os livros escritos por kardec, na sua encarnação anterior, além de quase toda obra de amor à doutrina espiritualista
              que kardec escreveu generosamente nos entregou
              por intermédio da sua última encarnação, como o humilde e
              iluminado Chico Xavier.

              Só para tirar dúvidas ou preconceito, informo a V,Sa. que NASCI, DENTRO DE UM TERREIRO DE
              CANDONBLÉ, no Rio de Janeiro,
              mas eu escolhi me dedicar ao kardecismo que sempre falou
              mais alto ao meu espírito.

              É uma longa história, que algum dia
              talvez eu conte para vocês e diga,
              quem eu sou realmente.

  2. Caro amigo Brito. Como sempre o seu depoimento é perfeito. Demonstra como uma pessoa humilde
    e de grande coração caritativo pode e deve trabalhar em favor dos menos privilegiados pela sorte.
    Muito tenho ouvido falar do árduo trabalho dessa mulher de grande coração e muita bondade, que
    merece todo nosso respeito e admiração. Só não concordo com a tal de beatificação feita
    pela infame igreja católica, pois o papa ou seja lá quem for não tem o poder de transformar ninguém em santo, além do mais santo não existe, pois todos foram
    santificados pela igreja e pelos papas profanos sem qualquer qualificações santificadora. Quem deu
    poder ou autorização para a imoral e desqualificada igreja católica para transformar alguém em santo? Santos seriam apenas aqueles nomeador por Deus,e não preciso citar exemplos de almas Divinas, como Francisco de Assis, Vicente de Paula e tantos outros nomeados por Deus e
    não pelos papas, cujo caráter histórico é igual ou pior que os nossos políticos, tantos esquerdistas como direitistas, tudo dejeto do mesmo esgoto. Cito como exemplo esse dito papa fdp atual. Qual a origem divina doseu papado ? Ele é apenas um politico idiota, sem
    qualquer qualificação., Um pulha nojento que se mete até na politicagem européia sobre a amazonas ? Desculpe o desabafo. Nada tenho contra a nossa irmã Dulce,a quem admiro muitíssimo pelo seu grande trabalho em favor dos pobres e necessitados e estou certo que Deus já elevou a sua alma à patamares tão alto que nenhum dos ditos papas poderão alcançar um dia. Meus cumprimentos pelo seu ótimo trabalho, como sempre.

    • Taí um comentário a ser aplaudido de pé. Não poderia Sancho acrescentar vírgula sequer, pois D.MATT foi perfeito da primeira à última palavra. Resta a Sancho pedir ao autor que não perca jamais a contundência, pois é por demais salutar essa sacudida que tal comentário proporciona, pois nos conduz à reflexão.

      • Muito obrigado pelo seu generoso elogio ao meu modesto comentário, cuja
        publicação HOJE , deve-se a boa amizade e também a
        ao muito generoso coração do nosso professor Brito.

        Me aproprio de suas sábias palavras : Que a alma elevada
        e abençoada da Irmão Dulce nos proteja e que os textos
        do nosso mestre Brito não nos abandone jamais.

  3. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes viveu e morreu “ensinando” a amar. Uma pena que a raça humana é formada por péssimos alunos.

    Dona Maria tinha Brito no nome. Nosso Britão, Brito é. Fazem na excelência de ser BRITO (Brito – significado: “forte e resistente”.), uma ótima dupla.

    Sancho, que Brito não é, reverencia a mulher que com ou sem as bênçãos da igreja, Santa seria.

    Que Dulce nos proteja e que os textos de Brito não nos abandonem jamais.

  4. Nosso Fiel Escudeiro, agradeço-lhe o parentesco que você me atribui

    Certa vez fui ver de onde vieram os Britos. Veiram de Portugal e Espaha, Tato num como no outro tem Brito para caramba. Mesmo na minha família não se sabe como apareceu, pois não é de meu pai nem de minha mãe. Numa família de 16 só tem 2 britos: eu e uma irmã. Ninguém sabe porque é assim. Já ouvi falar que tenho um padrinho com o tal sobrenome.
    De qualquer modo, me alegra saber que Santa Dulce também é Brito e quem sabe podemos ter algum parentesco.

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