Martha de Hollanda Cavalcanti nasceu em 20/3/1903, em Vitória de Santo Antão, PE. Escritora, jornalista, poeta e militante feminista, foi pioneira na luta pelo sufrágio feminino, em 1928. Fundou a Liga Feminista Brasileira, em 1931, e foi a primeira mulher eleitora e candidata a deputada em Pernambuco, em 1933.
Filha de Mathilde de Aragão Rabelo de Holanda e Nestor de Holanda Cavalcanti, tradicional família intelectual e política da cidade. Teve os primeiros estudos no Colégio Santa Margarida e Ginásio Pernambucano, no Recife. Casou-se com o jornalista e historiador José Teixeira de Albuquerque, em 1928, e estreou nas letras, em 1930, com o livro de poemas Delírio do nada, apresentado por Coelho Neto e Alberto de Oliveira.
O livro foi bem recebido pela Academia Brasileira de Letras e pela crítica brasileira e portuguesa e foi reeditado em 2024, pela editora Scortecci. Sobre a autora, dois livros de caráter biográfico foram publicados: em 1984, Martha de Hollanda: feminismo e feminilidade, um ensaio da historiadora Cristina Inojosa, publicado pelo Selo Editorial Mirada, e em 2003 foi lançado Uma guerreira no tempo: Resgate de um época, Martha de Hollanda e o delírio do nada – publicado por Luciene Freitas. Martha faleceu em 2/10/1948.
Martha faleceu em 2/10/1948 e era uma mulher diferenciada. Vestia-se de modo ousado, inventava moda, roupas extravagantes, penteados inusitados, cores fortes, decotes pouco comuns à época, roupas feitas em alfaiatarias e muita maquilagem. Algumas vezes, vestia-se como homem; transitava com um bem talhado paletó, gravata e bengala. Ainda jovem, bebia, fumava e era carnavalesca fanática. Costumava fazer o footing sozinha e frequentar cinema, teatro, sorveterias e casas de chá, o que não era comum às mulheres da época. Era conhecida por todos como uma mulher a frente de seu tempo.
Logo após a Revolução de 1930, surgem em Pernambuco duas organizações com a intenção de lutar pelos direitos femininos: a Federação Pernambucana pelo Progresso Feminino, em 10/11/1931, dirigida por Edwiges de Sá Pereira e a Cruzada Feminista Brasileira, em 12/11/1931, liderada por Martha de Hollanda. Duas entidades criadas com a mesma intenção e quase no mesmo dia. Está visto que houve aí uma cisão de ideais entre as duas protagonistas. As duas tinham temperamento diferenciado, uma mais conciliadora e outra mais radical. Ambas foram analisadas num paper do XV Encontro Regional de História da ANPUH-Rio, em 23-27 de julho de 2012, intitulado Por uma igualdade emancipadora da mulher: Edwiges de Sá e Martha de Hollanda, feministas em luta pela cidadania política em Pernambuco dos anos de 1930, apresentado por Alcileide Cabral do Nascimento, à disposição na Internet.
Resumo do paper: “Esta apresentação tem como objetivo analisar os discursos de duas feministas pernambucanas, Edwiges de Sá Pereira e Martha de Hollanda, que problematizaram as diferenças entre os gêneros na esfera política nos anos de 1930. Em seus discursos, operam com a ideia de uma biologia que informa o que é ser feminino e masculino. Questionam a dimensão subjetiva da mulher como ser frágil, débil e intelectualmente inferior. Ao recusar a fatalidade do destino feminino ao mundo privado, evocam nas suas práticas discursivas o espaço público na ampla acepção de direito à palavra, a uma educação emancipadora e à esfera das decisões políticas. Investem na imprensa escrita e falada. Revistas, jornais e rádios são os territórios simbólicos onde reinventam práticas de liberdade, de inserção no mundo público. Entre o riso e a dor de ser, ousaram e sonharam por um mundo mais justo para as mulheres”.
Ver essa foto no Instagram