JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Domitila de Castro Canto e Melo nasceu em São Paulo, SP, em 27/12/1797. Viscondessa e mais conhecida como Marquesa de Santos, Integrou a nobreza na época do Brasil colonial e tornou-se célebre pela longa e influente relação mantida com o imperador Dom Pedro I.

Filha de Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas e João de Castro Canto e Melo, 1º Visconde de Castro, descendente de nobres famílias da elite paulista. Casou-se, em 1813, aos 15 anos com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, descrito como violento e jogador compulsivo, que agredia a esposa, até fisicamente. Após o casamento, mudaram-se para Vila Rica, onde nasceram os 3 primeiros filhos.

Devido a vida conturbada do casal, ela voltou à casa dos pais em São Paulo, em 1816. Tentaram uma reconciliação em 1818, mas as agressões do marido se intensificaram. Em 6/3/1819 chegou a atacá-la com 2 facadas. Ele foi preso e ela passou a batalhar pela separação. O divórcio só foi concedido em 21/5/1824, quando ela já era amante do imperador. O longo processo decorrido acusava-a de adultério para justificar a violência. No entanto testemunhas e provas mostravam que o marido tentara assassiná-la para se apossar das terras herdadas em Minas Gerais.

Conheceu D. Pedro em 29/8/1822, pouco antes da Proclamação da Independência do Brasil, e já no ano seguinte o Imperador instalou-a numa casa no Rio de Janeiro. Em 1826 ganhou um presente do imperador: a famosa “Casa Amarela”, uma luxuosa mansão próxima à residência oficial do Imperador, na Quinta da Boa Vista. Em seguida concedeu-lhe títulos e honrarias: Viscondessa em 1825 e Marquesa em 1826. A escolha “de Santos” foi uma provocação aos irmãos Andrada, seus inimigos políticos, naturais de Santos. Exilado na França, José Bonifácio reagiu; “Quem sonharia que a michela (prostituta) Domitila seria viscondessa da pátria dos Andradas! Que insulto desmiolado!”.

A relação longa e notória com D. Pedro durou cerca de 7 anos, embora ele mantivesse outros casos, incluindo a irmã de Domitila, Maria Benedita. A presença de Domitila na corte causou profunda humilhação à Imperatriz. A nomeação da amante como dama de companhia foi o ápice do escândalo, obrigando a imperatriz a conviver oficialmente com a rival. A morte de Leopoldina, em dezembro de 1826, gerou uma crise política e acusações de que uma suposta agressão física de D. Pedro teriam precipitado sua morte. Porém, relatos médicos indicaram uma infecção puerperal como causa mortis. Mais de 180 cartas trocadas revelam a profundidade e a complexidade da relação, da qual nasceram 5 filhos, mas apenas 2 chegaram à fase adulta.

O relacionamento terminou em 1829 e D. Pedro foi pressionado a contrair novo matrimônio para garantir a sucessão e restaurar sua imagem na Europa. Foi negociado o casamento com a princesa Amélia de Leuchtenberg e a família da noiva e as cortes europeias, horrorizadas com o escândalo da amante, impuseram como condição o afastamento definitivo de Domitila da corte. D. Pedro se convencera de que sua presença no Rio de Janeiro era inoportuna e que sua mudança para São Paulo era essencial. Assim, Domitila retornou à sua província natal, encerrando um capítulo intenso e controverso de sua vida, bem como do império brasileiro.

Sua presença na corte marcou profundamente o 1º Reinado, influenciando a política e a vida da família imperial. Em São Paulo, adquiriu um grande casarão no centro histórico da cidade, hoje conhecido como “Solar da Marquesa de Santos”, tornando-se ponto de encontro da elite paulistana, palco de saraus e bailes. Em 1842 se casou com o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, um dos políticos mais influentes da província, tornando-se uma poderosa, matriarca, respeitada por suas atividades filantrópicas e sua forte personalidade. Sua figura histórica, complexa e controversa, foi objeto de intensa disputa memorialística. Foi retratada ao longo do tempo como uma vilã ambiciosa, uma heroína romântica e, também, como uma mulher que desafiou as convenções sociais e exerceu notável desempenho sobre sua própria vida.

Após a morte do marido, em 1857, se tronou uma figura respeitada, dedicando-se a obras de caridade e auxiliando estudantes da Faculdade de Direito. Segundo o biógrafo Paulo Rezzutti, ao contrário do que a historiografia tradicional sugeria, Domitila nunca foi uma “pobre coitada”, mas sim uma hábil administradora de sua fortuna e uma mulher consciente de seu poder, como demonstra uma carta a um genro: “Eu sendo mulher lembro-me do futuro”. Faleceu em 3\11\1867 e seu túmulo tornou-se local de peregrinação. Domitila transformou-se numa espécie de “santa popular”, invocada por prostitutas (por ter sido estigmatizada em vida) e por mulheres que buscam um bom casamento, inspiradas em sua capacidade de se reerguer e formar uma nova família de prestígio após o escândalo com o imperador.

Sua biobibliografia é vasta com destaque para o livro de Mary del Priore A carne e o sangue: A Imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos, publicado pela editora Rocco, em 2012 e o livro de Paulo Rezzutti A verdadeira história da Marquesa de Santos, publicado pela Geração Editorial, em 2013, reeditado como A história não contada pela editora Leya, em 2019 e 2023.

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