JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Maria Felipa de Oliveira nasceu em data incerta em princípios do século XIX na Ilha de Itaparica, BA. Heroína negra, foi combatente destacada na campanha da Independência do Brasil na Bahia, em 1823.

Descendente de negros escravizados, vindos da África (Sudão). De estatura alta e corpulenta, trabalhou como marisqueira, pescadora, serviço braçal e aprendeu a brincar e se defender na luta da capoeira. No período entre 1822-1823 liderou um grupo de 200 pessoas nas batalhas contra os portugueses que atacaram a Ilha de Itaparica, incendiando algumas embarcações portuguesas. A narrativa oral afirma que enfrentou os portugueses usando folhas de cansanção, uma planta que queima a pele, causando derrotas na tropa portuguesa.

Sua participação nas batalhas mostra como a luta pela independência da Bahia, mobilizou outras mulheres que a historiografia insistiu em apagar. Tais conflitos envolviam os movimentos populares, multirraciais e descentralizados, integrando as redes de vigilância e defesa. Tem sido lembrada junto a outras mulheres da época, como Maria Quitéria e Joana Angélica, com sua atuação popular, atuando fora das tropas formais e mobilizando comunidades locais.

Sua história foi registrada por Ubaldo Osório Pimentel, avô do romancista João Ubaldo Ribeiro, no livro A Ilha de Itaparica: história e tradição, publicado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, em 1979, e permanece, ainda hoje, na memória popular. Tal memória pode ser vista no Curuzu, bairro da Liberdade, em Salvador -Casa de Maria Felipa-, que abriga o acervo doado pela pesquisadora Eny Kleyde Farias, como resultado de 10 anos de trabalho e pesquisa sobre sua vida. Desde 2009, em 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, a Casa concede o título “Maria Felipa na Contemporaneidade” às mulheres mais destacadas em sua época.

Em 2023, foi inaugurado na então Praça Cairu, no bairro do Comércio, em Salvador, um monumento a Maria Felipa criado pela artista baiana Nádia Taquary. A obra, com cerca de quatro metros de altura, foi instalada de modo que a figura ficasse voltada para a Ilha de Itaparica. No ano seguinte, a Praça Cairu passou a denominar-se oficialmente Praça Maria Felipa, consolidando no próprio local do monumento a homenagem à personagem.

O nome de Maria Felipa também foi atribuído a instituições e iniciativas públicas na Bahia. Em Itaparica, a rede municipal de ensino mantém a Escola Municipal Maria Felipa. Na Polícia Militar da Bahia, o Centro de Referência da Mulher Policial Militar – Centro Maria Felipa -, criado em 2006, desenvolve atividades de atenção às policiais e de promoção de estudos, programas e formação relacionados às questões de gênero na corporação.

A Câmara Municipal de Salvador outorga anualmente o “Prêmio Maria Felipa”, destinado ao reconhecimento de mulheres negras com trajetórias ligadas à luta contra o racismo e à defesa de direitos. Faleceu em 4/7/1873 e 150 anos depois foi homenageada com a citada em Salvador, próxima ao Elevador Lacerda, em 2023, na praça que leva seu nome. Em 2017 foram criadas no Rio de Janeiro e Salvador as primeiras escolas afro-brasileira. Trata-se de um projeto educacional que visa abordar a questão racial de modo a superar pela via educacional o racismo estrutural enraizado no Brasil.

Tal projeto foi solidificado, em 2019, com a criação do Instituto de Educação Maria Felipa de Educação, arte, cultura e tecnologia, em Salvador, com uma série de projetos que dão suporte às suas atividades. Em 26/7/2018 Maria Felipa foi incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, através da Lei Federal nº 13.697, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília. Em termos biográficos, contamos com o livro da pesquisadora Eny Kleyde Farias Maria Felipa de Oliveira: heroína da independência da Bahia, publicado em 2010 pela editora Quarteto, em Salvador e Maria Felipa: a heroína negra entre silenciamentos e resistências, de Lucineide Santos Vieira, publicado pela Revista África e Africanidades, em 2025.

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