Margarida Maria Alves nasceu em 5/3/1932, em Alagoa Grande, PB. Trabalhadora rural e sindicalsita, foi uma das pioneiras dirigentes sindical no País. Sua história de luta inspirou a criação da “Marcha das Margaridas”, em 2000, um evento realizado de 4 em 4 anos, organizado pela Contag-Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
Filha de Alexandrina Inácia da Conceição e Manoel Lourenço Alves, uma família de 9 irmãos, viveu no Sítio Jacu até os 22 anos, quando foram expulsos da terra e passaram viver na periferia da cidade. Estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental já na fase adulta; participou do movimento sindical rural e tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, em 1973, aos 40 anos.
Em sua gestão batalhou pela conquista de direitos trabalhistas, como carteira de trabalho assinada, 13º salário, jornada de trabalho de 8 horas, férias e licença maternidade. Também lutava pelo fim do trabalho infantil e a criação de escolas. Criou um programa de alfabetização de adultos, inspirado na pedagogia de Paulo Freire, voltado aos trabalhadores. Moveu mais de 100 ações na Justiça do Trabalho, enfrentando os proprietários de terras e usineiros de açúcar, particularmente, os donos da Usina Tanques.
Em seu discurso no Dia do Trabalho, em maio de 1983, pronunciou a frase que ficou retida na memória do movimento: “Da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Neste ano o Ministério Público contava com 72 ações na Justiça do trabalho contra fazendeiros e usineiros, movidas por ela. Por esta época, foram intensificadas as ameaças de morte por telefone e cartas, até que em 12 de agosto daquele ano um pistoleiro contratado bateu na sua porta, perguntando: “É a dona Margarida?”. Foi morta alí mesmo enquanto seu fllho brincava na calçada.
O crime teve grande repercussão nacional e internacional e foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O fato deu mais força de mobilização às organizações de trabalhadores rurais de todo o Brasil e resultou na criação da “Marcha das Margaridas”, um evento de grande visibilidade e a mais notável expressão de luta por direitos das trabalhadoras do campo. Em 1985 o Ministério Público denunciou 3 pessoas que poderiam estar envolvidas no crime, mas foram absolvidas.
Em 1988 deu-se uma nova acusação envolvendo outros fazendeiros como mandantes do assassinato. Apenas uma pessoa ficou presa durante 3 anos e em 2001 foi absolvida. Assim, o crime político nunca foi resolvido. A casa onde morava foi comprada pela Prefeitura e virou museu em 26/8/2001. Na fachada ficou registrada sua conhecida frase: “Da luta não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Abaixo de uma das janelas tem uma placa: “Aqui foi assassinada em 12/08/1983 a líder sindical Margarida Maria Alves”. Na sala da casa/museu consta a reiteração de sua frase em letras garrafais: “Da luta eu não fujo”.
12 de outubro, o dia do seu assassinato, foi instituído pela Lei nº 12.641, como Dia Nacional dos Direitos Humanos. Além desta homengem e ter seu seu nome dado à “Marcha das Margaridas”, recebeu postumamente o Prêmio Pax Christi Internacional, em 1988. Pouco depois, o Arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires, mudou o nome do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba para Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves, em 1994. Em agosto de 2023, ela passou a constar no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, conhecido como Livro de Aço, aberto à visitação pública no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Em 2017 o cineasta Barak Fernandes produziu o documentário Nos caminhos de Margarida.