JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu em 12/1/1944 em Pernambuco, na ilha que leva seu nome. Cantora, compositora e dançarina, é considerada a mais célebre cirandeira do Brasil. Ficou conhecida por Lia nos anos 1960, depois que Teca Calazans, incorporando versos cantados pela cirandeira, acrescentou:

“Esta ciranda quem me deu foi Lia,
que mora na Ilha de Itamaracá”

Leva uma vida modesta na Ilha e trabalhou como merendeira em uma escola pública. Canta e dança ciranda desde menina. Gravou seu primeiro disco aos 33 anos, em 1977, sob o título A rainha da ciranda. Conhecida em seu Estado, ganhou projeção nacional a partir da apresentação no festival “Abril Pro Rock”, em 1998 no Recife. A projeção internacional veio com o lançamento do álbum Eu sou Lia, em 2000. Uma resenha publicada no New Iork Times, deu-lhe o título de “Diva da Música Negra”.

O disco foi distribuido, também, na França e no ano seguinte ela foi convidada para fazer uma turné em Paris, onde fez várias apresentações. Pouco antes disso, recebeu o título de “Doutora Honoris Causa” da UFPE-Universidade Federal de Pernambuco, em 2019 e seu álbum “Ciranda sem fim” foi eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros, pela APCA-Associação Paulista de Arte. Seu amigo, o Mestre Capiba, ajudou-a na projeção, quando lhe deu de presente esta canção:

“Minha ciranda não é minha só
é de todos nós
a melodia principal quem guia é a primeira voz
pra se dançar ciranda
juntamos mão com mão
formando uma roda
cantando uma canção…”

Entre 2003 e 2019, participou em pontas ou como personagem em pelo menos seis filmes. Dois deles dirigido por Kleber Mendonça: o curta-metragem Recife Frio (2009) e Bacurau (2019) Foi também personagem principal do curta-metragem documental Formiga Come do Que Carrega (2013), do diretor Tide Gugliano. Fez, também, uma participação especial no premiado longa-metragem Sangue azul (2014), dirigido por Lírio Ferreira.

Nos últimos anos, Lia vem reebendo diversas homenagens. Foi condecorada com a “Ordem do Mérito Cultural”, pelo Ministério da Cultura e recebeu a comenda “Patrimônio Vivo de Pernambuco” do Governo de seu Estado. Em 2020, foi homenageada pelo Bloco Afro Ilú Oba De Min, no carnaval em São Paulo, e o Banco Itaú dedicou-lhe a 55ª edição do programa Ocupação Cultural, realizada em abril-julho de 2022. É uma das poucas negras brasileiras que recebeu o Certificado de Ancestralidade da “African Ancestry Inc., através do estudo de DNA, como descendente do Povo Djola da Guiné-Bissau, em 2015.

Foi considerada uma das 100 personalidades negras influentes da lusofonia, integrando a 100 Power List, iniciativa da revista digital “Bantumen”. Em 2023. No mesmo ano fez uma apresentação no Festival de Música Mundial Horizonte, em Koblenz, Alemanha. No carnaval de 2024, foi homenageada como enredo por duas escolas de samba: no Rio de Janeiro pelo Império da Tijuca e em São Paulo pela Nenê de Vila Matilde. Atualmente Lia canta e não sei se ainda dança, mas comanda o Centro Cultural Estrela de Lia, em Itamaracá.

7 pensou em “AS BRASILEIRAS: Lia de Itamaracá

  1. Esse José Domingos Brito, é simplesmente genial. Parabéns pelo excelente texto sobre Lia de Itamaracá. Ela representa muito bem a nossa cultura popular.

  2. Estive pela primeira vez no Estado de Pernambuco na década de setenta. Ao visitar uns amigos em Recife, eles me levaram para passar um final de semana na Ilha de Itamaracá. Naquela ocasião, sabia tão somente da existência da Ilha de Itamaracá. Mas, para minha felicidade foi um fim de semana inesquecível, pois tive a grande oportunidade de conhecer a Lia, sua ciranda, dançar a ciranda com os amigos, turistas e moradores da ilha. Até hoje guardo na memória aquele momento especial na minha existência. Nunca esqueci a Lia, a musicalidade dela e “”Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”. “O tempo passa, mas as lembranças felizes ficam provando que vivemos momentos eternos.” O que reforça a importância das biografias.

  3. Pingback: A CIRANDA DE LIA | JORNAL DA BESTA FUBANA

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