Francisca Senhorinha da Motta Diniz nasceu 30/10/1834, em São João del Rei, MG. Professora, escritora e jornalista. Pioneira do Feminismo no Brasil, teve atuação destacada na educação e participaçãio da mulher na sociedade. Fundou o semanário – O Sexo Feminino -, em 1873, com artigos sobre o dote, abolição da escravatura, pena de morte, sufrágio feminino etc.
Filha de Gertrudes Alves de Melo Ramos e Eduardo Gonçalves da Mota Ramos, e casada com o advogado e jornalista José Joaquim da Silva, diplomou-se professora do curso primário e lecionou em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde fixou residência. Logo após formada, passou a dirigir uma escola ao mesmo tempo em que iniciava uma carreira jornalística, escrevendo para a revista A Estação.
Pouco depois, fundou seu próprio jornal – O Sexo Feminino -, “um semanário dedicado aos interesses da mulher”, conforme estampado no título. O jornal foi lançado em Campanha, MG, em 7 de setembro de 1873, marcando a comemoração da Independência do Brasil e, também, a independência da mulher, num editorial na capa do jornal: “Zombem muito embora os pessimistas do apparecimento de um novo orgão na imprensa – O Sexo Feminino; tapem os ouvidos os indifferentes para não verem a luz do progresso, que, qual pedra desprendida do rochedo alcantilado, rola violentamente sem poder ser impedida em seu curso; riam os curiosos seu riso sardonico de reprovação à idea que ora surge brilhante no horizonte da cidade…
…O seculo XIX, seculo das luzes, não se findará sem que os homens se convenção de que mais de metade dos males que os opprimem é devida ao descuido, que elles tem tido da educação das mulheres, e ao falso supposto de pensarem que a mulher não passa de um traste de casa, grosseiro e brusco gracejo que infelizmente alguns individuos menos delicados ousão atirar a face da mulher, e o que é mais as vezes, em plena sociedade familiar!!!”. O jornal era impresso em sua casa e seu marido era editor do jornal O Monarquista.
Em 1875 foi convidada por Dom Pedro II para lecionar na corte e passa a viver no Rio de Janeiro, levando seu jornal a tiracolo, e atinge a tiragem de 4 mil exemplares. Seus leitores iam dos mais ricos -incluindo os membros da corte (Dom Pedro II e a Princesa Isabel eram assinantes) -aos mais pobres. No ano seguinte toda a família foi acometida pela febre amarela; passa por uns perrengues financeiros; e o jornal passa a ser publicado mensalmente por pouco tempo. Só voltou a circular após a Proclamação da República com novo título: O Quinze de Novembro do Sexo Feminino, ou seja: “A República das mulheres”, cujo programa propunha a emancipação feminina através da educação física, moral e intelectual. Trazia também uma coluna tratando exclusivamente do sufrágio feminino.
Colaborou em mais dois jornais do Rio de Janeiro: Primavera e A Voz da Verdade. Era uma defensora intransigente do papel da mulher na nova república que surgia. Seu texto era direto, conclamando à ação: “É tempo de olharmos atentamente para nossa situação. Que papel representa a mulher na sociedade? Quando filha, quando mãe, esposa e viúva, sempre, sempre manietada, oprimida e dominada desde o primeiro até o último homem”. Dava grande importância à educação básica da mulher, tanto para benefício próprio quanto para a melhoria do mundo. Boa parte dos estudos sobre Francisca Diniz estão centrados mais na sua produção jornalística. Porém ela enveredou pela literatura com o livro A judia Rachel: romance original de costumes, publicado em 1886 em coautoria com sua filha Albertina.
Segundo a crítica literária Zahidé Muzart, trata-se de um romance “de aprendizagem”, no sentido de que a obra é um exercício do ofício da escrita. Tendo em vista seus esforços para destacar o papel da mulher na sociedade, a temática de seu livro não poderia ser outro, senão uma crítica ao confinamento a esfera doméstica e seu alijamento da esfera pública. O livro alcançou sucesso de público e crítica, e foi republicado pelo Senado Federal, em 2020, incluído na “Coleção Escritoras do Brasil”.
Sua vida não ficou nos limites da escrita jornalística ou literária. Com o falecimento do marido, e em parceria com suas 3 filhas, também professoras: Amélia, Albertina e Elisa, fundou a Escola Doméstica do Colégio Santa Isabel, em 1890, no centro do Rio de Janeiro. As disciplinas referentes à vida doméstica foram matidas, mas foram ampliadas com o acréscimo de História, Matemática e Geografia. Aí se manteve até 30/10/1910, quando veio a falecer, mantendo a crença que seria pela formação escolar que as mulheres poderiam escolher seu próprio caminho. Em 2013 Bárbara Figueiredo Souto apresentou a dissertação de mestrado – Francisca Senhorinha da Motta Diniz e Josephina Alvares de Azevedo: projetos de emancipação feminina na imprensa brasileira (1873-1894) – no Departamento de História da FFLCH da USP, disponível para consulta. Clique aqui para acessar.
Obrigado por mais essa lembrança, estimado memorialista Brito.
Francisca Diniz há muito merecia está nesse púlpito, representando as femininas tão criticadas pela descerebrada filósofa do CU, Márcia Tuburi arrombada!
Feliz Natal 2022!
É isso aí Cícero
Cicero
Bom Natal pra você também. Os melhores pensamentos e sentimentos, cf. dizia o saudoso Walter Franco, neste ano novo e sempre
Mais uma que não conhecia. Só mesmo o mestre Jose Domingos.