Emma Brepohl Costet de Cheville nasceu na Baviera, Alemanha, em 1903. Astróloga, espiritualista e precursora do “movimento hippie”, passou a infância no Monte Veritá, na fronteira entre a Suíça e a Itália e sede do famoso centro de cultura alternativa em fins do séc. XIX e início do séc. XX, frequentado por artistas, pensadores e idealistas em busca de uma vida mais simples e em harmonia com a natureza.
Buscavam um estilo de vida baseado em valores como simplicidade, igualdade, cooperação e liberdade individual. Por lá passaram Hermann Hesse, Carl Jung, Thomas Mann, Bernard Shaw, Isadora Duncan e Rudolf Steiner (fundador da Antroposofia) entre outros. Em 1889, os teósofos Alfredo Pioda, Franz Hartmann e a condessa Constance Wachtmeister estiveram lá e fundaram um convento laico vegetariano, intitulado “Fraternitás”.
Em seguida, surge o artista plástico Karl Graser, propondo uma reforma de vida baseada em Rousseau e Tolstói, pregando que o homem deveria viver segundo seu próprio juízo, levando a uma série de práticas saudáveis, como como yoga, vegetarianismo, exercícios físicos e terapias através da arte. Assim adotaram práticas, como o nudismo e o uso de terapias naturais, como a hidroterapia, aromaterapia, acupuntura e a meditação. Seus moradores eram conhecidos por suas crenças políticas progressistas e na defesa de ideais como o pacifismo, feminismo e anarquismo.
O movimento não prosperou e em 1920 Doma Emy e sua tia se mudaram para Buenos Aires. 5 anos depois foram viver no Brasil, estabelecendo-se na região do Palmital (SC), onde já havia outras comunidades, que hoje se chama “ecovila”, como o ”Falanstério do Saí”. Trata-se de uma tentativa de criar uma comunidade autossustentável baseada em princípios anarquistas e socialistas, liderada pelo médico homeopata Benoit Jules Mure, hoje conhecido como Bento Mure. Ali conheceu seu futuro marido, Albert Raymond Costet, conde de Mascheville, também conhecido como Cedajor, astrólogo, violonista, escritor e adepto do “Martinismo”, filosofia inspirada no cristianismo exotérico.
Antes de falecer, em 1943, Cedajor previu que, no futuro, uma “nova humanidade” surgiria na Califórnia, EUA, “como ponta de lança da Era de Aquarius, que já dava sinais de sua aparição no horizonte. Segundo a profecia, essas pessoas iriam praticar o vegetarianismo e o pacifismo, vestindo-se com roupas coloridas e muita música, o que veio ase confirmar com o fenômeno hippie, nas décadas de 1960 e 1970”.
Em 1930 passaram a viver em Porto Alegre e dedicaram-se ao estudo da astrologia, tendo realizado mais de 10 mil mapas astrológicos. Difundiu seus estudos no livro Luz e Sombra: elementos básicos de astrologia, único livro que lançou em vida, publicado em 1980 pela Editora Hipocampo e relançado em 1997 pela editora Teosófica. Para ela, a astrologia é uma área de conhecimento e crescimento pessoal. 12 anos após enviuvar, casou-se com o astrólogo e egiptólogo Walter Pery Klippel. Dona Emy faleceu em 27/12/1981 e deixou um legado de ensinamentos na área astrológica.
Na condição de pioneira dos hippies, recebeu em meados da década de 1970, um bando de jovens cabeludos, vestindo túnicas de algodão e sandálias de couro, querendo conhecer mais sobre astrologia: A recepção foi majestosa:
– “Estou esperando por vocês há mais de 30 anos”.
Ela encara a astrologia de um modo diferenciado. Desenvolveu uma doutrina pessoal sobre a relação do cosmos com a vida humana, baseada em estudos teóricos e na observação da natureza a partir de sua própria vivência, utilizando a astrologia como uma ferramenta de autoconhecimento.
Costumava dizer: “Aos que nos perguntam se acreditamos na astrologia, devemos responder: Não, apenas a observamos”. Boa parte de sua vida e pensamento foram reunidas no livro O que o céu e os homens me ensinaram: antologia para a Era de Aquário, numa edição independente organizada por Amanda Costa e Antônio Carlos Bola Harres (ambos seus discípulos), lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2023 e disponível no site da Amazon.