Maria Cristina de Lima Tavares Correia nasceu em 10/6/1934, em Garanhuns, PE. Linguista, professora, jornalista e política. Como deputada federal foi uma das fundadoras do PSDB-Partido da Social Democracia Brasileira e ficou conhecida como defensora intransigente de uma política nacional de informática. Foi a primeira mulher a liderar uma bancada na história do parlamento brasileiro.
Filha de Maria Mercês de Lima Tavares Correia e José Alves Tavares Correia, dono do maior hotel de Garanhuns, o antigo Sanatório Tavares Correia. Em 1955 graduou-se em línguas neolatinas pela Faculdade de Filosofia do Recife e passou a trabalhar no jornalismo, atuando no Jornal do Comércio, Diário de Pernambuco e Jornal da Cidade, e como correspondente da Folha de São Paulo em Recife, além de dirigir a sucursal da revista Visão no período 1973-75.
Em 1960, recebeu o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em viagem pelo Recife. O filósofo apaixonou-se por Cristina e queria levá-la à Paris. Na ocasião sua esposa ficou doente e registrou em suas memórias: “Enquanto eu jazia no meu leito de dor, ele passeava com ela”. Em meados da década de 1970, ingressou na política, pelas mãos do deputado Fernando Lira e candidatou-se a deputada federal, em 1978, pelo MDB-Movimento Democrático Brasileiro, fazendo parte do “Grupo Autêntico” e integrando a assessoria de Ulysses Guimarães, presidente do Partido. Foi empossada no ano seguinte e exerceu a vice-presidência da Comissão de Comunicação e titular das CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre fome, desnutrição e saúde; comercialização do café brasileiro e cheias do Rio São Francisco.
Em seguida, pelo mesmo partido, já transformado em Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ganhou mais dois mandatos consecutivos como deputada federal: em 1982 (legislatura 1983-1987), com 27.963 votos, e em 1986 (legislatura 1987-1991), com 40.613 votos. Com a extinção do bipartidarismo, em 1979, tornou-se vice-líder do PMDB. Nesta legislatura, foi relatora do “Simpósio sobre Informática”. Em 1982 reelegeu-se deputada federal e fundou o Centro de Estudos Políticos e Sociais Teotônio Vilela. Na Câmara Federal teve atuação destacada nas comissões de Economia, Indústria e Comércio e de Comunicação e Informática. Votou a favor das eleições diretas em 1984 e no candidato oposicionista Tancredo Neves, em 1985, que não pode assumir devido ao falecimento em 31 de abril.
No mesmo ano integrou a delegação brasileira no “Seminário sobre Dívida Externa”, em Havana. Na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, foi relatora das comissões da Família, da Educação e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação e titular da Comissão de Sistematização. Ainda na Constituinte votou a favor da limitação do direito de propriedade privada, do mandado de segurança coletivo, da jornada de 40 horas semanais, da unicidade sindical, do voto aos 16 anos, da criação do fundo de apoio à reforma agrária e contra a pena de morte, a pluralidade sindical, o presidencialismo e o mandato de 5 anos para José Sarney.
Devido a um câncer de mama, faltou às votações do segundo turno e licenciou-se do mandato para tratamento no exterior. Atuou na Constituinte em defesa da Lei de Informática, da revisão do Código Nacional de Telecomunicações e mudanças no regime de propriedade dos meios de comunicação. Defendeu também reinvindicações do movimento feminista: descriminalização do aborto, instalação obrigatória de creches nas empresas e ampliação dos direitos da mulher trabalhadora. Em 1988 participou da fundação do PSDB- Partido da Social Democracia Brasileira e pouco depois. Na primeira eleição presidencial por voto direto, em 1989, filiou- se ao PDT-Partido Democrático Trabalhista e apoiou à candidatura de Brizola. No pleito de 1990, candidatou-se à reeleição como deputada pelo PDT, mas não obteve êxito e deixou a Câmara dos Deputados em 1991. Em seguida passou a dirigir, no Recife, a seção regional do Instituto Alberto Pasqualini, organismo de estudos políticos ligado ao PDT. Faleceu em 23/2/1992, vitimada por um câncer.
Em sua vida pública, elaborou 139 projetos, proferiu 334 discursos, participou de diversas Comissões Parlamentares e foi relatora de dois simpósios. Na Constituição de 1986, apresentou 227 emendas, das quais 95 foram aprovadas. Deixou 6 livros publicados: Cristina Tavares Correia, repórter (1978), relato sobre sua visão da imprensa; Conversações com Arraes (1979), suas conversas com o governador; Informática: a batalha do século XXI (1984), em coautoria com Mílton Seligman; Informática e a Nova República (1985), Onde está o meu filho? (1985), em coautoria com Chico de Assis, Gilvandrio Filho, Glória Brandão e Jodeval Duarte e A última célula: minha luta contra o câncer (1990), um relato pungente sobre seu martírio.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco instituiu, em 1993, o “Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo”, outorgado anualmente aos profissionais destacados na área. Como biografia, temos o texto de Tereza Cruvinel – Cristina Tavares: ensaio biográfico – publicado na série “Perfis Parlamentares” nº 71, da Câmara dos Deputados, em 2016, e o trabalho Cristina Tavares: memória, imagem e representação, apresentado no XIII Encontro Estadual de História, em 2020, que pode ser acessado clicando aqui.
Eu definiria esta Senhora assim:
Comunista fabiana, colocou chifres na Beauvoir enquanto anfitriã de seu marido (bem feito para a francesa).
O pior de sua biografia foi a defesa da tal lei de informática que impedia a importação de produtos de informática de 1ª linha para ficarmos sucateados no setor por 10 anos, prejudicando nossa ciência, indústria e educação, que só começou a se recuperar com a liberação das importações pelo Collor (só isso já o coloca em nossa história).
Esta Senhora não me deixou saudades.
Pelo que eu saiba Collor ficou na história devido a expropriação “legal” do dinheiro do povo e também pela ilegal pelo seu tesoureiro.
Caro Brito, Collor não morreu ainda e sua história não acabou. Em 1989 não votei nele (Covas 1T e Lulla 2T) foi a única vez na vida que votei no larápio.
Teve confisco da poupança e depósitos em seu governo? Sim.
Esquemas com PC Farias? Sim.
Collor foi impinchado? Sim também.
Mas tem uma coisa que ele fez que demorou muito tempo para acontecer e elevou o BR a outro patamar, que foi liberar a importação de eletrônicos e de informática, que era proibido por gente como a sua homenageada de hoje..
Estávamos mais de uma década atrasados em relação a outros países. Nos EUA já havia carros com injeção automática, cambio automático, há mais de 15 anos enquanto aqui tínhamos carroças. Os programas de qualidade na indústria começaram com ele.
Eu acho que a história irá reconhecer isso, que mudou muito a vida do protecionismo que existia aqui.
Quanto às ladroeiras, o PT o superou em muito.
Este Memorial está comprometido, pois está homenageando as conterrâneas do colunista
Mestre Ambrósio
Sua acusação não procede. Cristina Tavares saiu de Garanhuns em princípios da década de 1950 para estudar no Recife e por lá ficou. Eu fui morar lá no final da década e não a conheci mesmo morando ao lado do Hotel Tavares Correia, Assim, não vejo razões de vizinhança para defendê-la e menos ainda de homenageá-la por esta razão. A homenagem deve-se ao fato de ter sido a primeira brasileira a ocupar a liderança de uma bancada parlamentar na Câmara dos Deputados, além de atuante em seus mandatos sem auferir privilégios ou bens patrimoniais para si própria.
A boa lembrança que tenho dessa senhora, mestre Brito, foi a que um dia, aqui no Recife, no bairro de Chão de Estrelas, terras devolutas, que o Véi Migué Arraia autorizou os aventureiros de plantão invadirem para “construírem suas casas dignas,” na frente da gente, ela sem calcinha e bêbada, se acocorou, abriu as pernas feito uma cabra, e deu uma tremenda mijada ali na frente de todos os presentes à tertúlia na casa da líder comunitária Gilda Guimarães.
Terminado o serviço, limpou “terezinha” com lã de algodão e se foi-se abaixando o vestido.
Lindo espetáculo de uma esquerdista magomoliense.
Bom lembrar da amiga querida. Graças a Jose Domingos. Obrigado, mestre.
Padre Zé Paulo
bom saber que a Cristina Tavares tem amigos distinguidos em sua terra
Beleza de biografia . Conheci a nobre deputada pessoalmente , cheguei a acompanhá-la em algumas campanhas . Era realmente uma mulher além do seu tempo