JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Abigail Izquierdo “Bibi” Ferreira nasceu em 1/6/1922, no Rio de Janeiro, RJ. Atriz, cantora, compositora e diretora de teatro. Filha da bailarina espanhola Aída Queirolo Izquierdo e do ator Procópio Ferreira, foi uma das protagonistas do moderno teatro brasileiro nas décadas de 1960-1990.

Estreou no palco ainda bebê, com uns 20 dias de idade, na peça Manhã de sol, de Oduvaldo Vianna, substituindo uma boneca que desapareceu pouco antes do início do espetáculo. Após a separação dos pais, passou a viver com a mãe, que foi trabalhar numa companhia de teatro de revista espanhola. O espanhol foi seu primeiro idioma até os 4 anos. Foi uma atriz mirim conhecida no Rio de Janeiro e entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal. Aos 9 anos teve negada sua matrícula no Colégio Sion, por ser filha de um ator de teatro e mãe bailarina.

A estreia profissional se deu aos 19 anos, em 1941, na peça La Locandiera, de Carlo Goldoni. 3 anos depois, criou sua própria companhia teatral junto com Cacilda Becker, Maria Della Costa e Henriette Morineau. Mais tarde, mudou-se para Portugal e passou 4 anos dirigindo peças com grande sucesso. Em 1946, foi para Londres estudar direção na Royal Academy of Dramatic Arts. No ano seguinte, estreou como diretora em Divórcio, de Clemence Dane.

Na década de 1950, recebe o prêmio dos críticos do Rio de Janeiro pela direção de A Herdeira, de Henry James, em 1952. Em seguida deu aulas de direção e interpretação no Teatro Duse e na Fundação Brasileira de Teatro (FBT). Contratada pela Companhia Dramática Nacional (CDN), dirige, em 1954, Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues. Nomeada diretora da Companhia de Comédia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, revela peças brasileiras como A Casa Fechada e Sonho de Uma Noite de Luar, ambas de Roberto Gomes, em 1955.

Nos anos 1960, além de atuar em musicais de teatro e televisão, trabalha em teleteatro. Por sua atuação em My Fair Lady, de Alan Jay Lerner e Frederich Lowe, em 1964, ao lado de Paulo Autran, Jaime Costa, Sérgio Viotti e Elza Gomes, recebe o Prêmio Saci, em São Paulo. Em 1968, apresenta na TV Tupi o Programa Bibi ao Vivo, que durante dois anos leva à televisão os maiores nomes do teatro.

Na década seguinte dirigiu e atuou em alguns grandes espetáculos teatrais e musicais. Em 1970 dirigiu Brasileiro, profissão: esperança, de Paulo Pontes. Numa das versões desse espetáculo, dirigiu Maria Bethânia no início da carreira; noutra versão, dirigiu Clara Nunes, também iniciando. Em 1972 atuou em O Homem de La Mancha, ao lado de Paulo Autran e em 1975 participou de Gota d´Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Em 1975, dirigiu Walmor Chagas, Marília Pêra e Marco Nanini em Deus lhe pague, de Joracy Camargo.

Na década de 1980, dirigiu alguns musicais de grande porte a dramas intimistas: Toalhas Quentes (1980), de Marc Camoletti; Um Rubi no Umbigo (1981), de Ferreira Gullar; Calúnia (1981), de Lillian Hellman. Em seguida produziu e dirigiu O Melhor dos pecados, de Sérgio Viotti. O ápice de sua carreira veio com Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção (1983), dirigida por Flávio Rangel, que lhe garantiu os prêmios “Mambembe” e “Molière”, premiações da APETESP e Governador do Estado, em 1984/85. A peça ficou 6 anos em cartaz em algumas capitais do País e passou uma temporada em Lisboa.

Na década de 1990 fez algumas reapresentações de seus maiores sucessos e apresentou Bibi in Concert, em comemoração aos 50 anos de carreira. O espetáculo teve uma nova apresentação em 1992: Bibi in Concert 2. Em 1996 recebeu o Prêmio Sharp de Teatro e encenou Roque Santeiro, de Dias Gomes, na versão musical. Pouco depois, dirigiu pela primeira vez uma ópera, Carmen de Georges Bizet. Foi homenageada no carnaval de 2003, pela Escola de Samba Unidos da Viradouro com o enredo “A Viradouro Canta e Conta Bibi, uma homenagem ao Teatro Brasileiro”.

A partir da década de 2000, retomou a ideia de realizar espetáculos focados apenas num artista, como fez com Piaf e encarou personagens como Amália Rodrigues e Frank Sinatra. Em 2007, após 50 anos afastada do teatro de comédia, encenou Às Favas com os Escrúpulos, de Juca de Oliveira. Em 2015, entrou para a lista das “10 Grandes Mulheres que Marcaram a História do Rio”. Ao completar 95 anos fez sua turnê de despedida com Bibi – Por Toda Minha Vida, um espetáculo só com músicas brasileiras. O show mostrou toda a grandiosidade do talento e da carreira de Bibi Ferreira

Casou-se 6 vezes, o 1º em 1943 com o diretor Carlos Martins e o último em 1968, com o dramaturgo Paulo Pontes. Ficou viúva em 1976; não quis mais se casar e faleceu em 13/2/2019, aos 96 anos, vitimada por uma parada cardíaca.

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