CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Estimado Papa Berto, bom dia.

Espero que essa missiva eletrônica chegue a V. Santidade Suprema em boa hora e tempestivamente a me fazer merecedor do inestimável regalo d’A Prisão de São
Benedito.

Caso a mensagem seja extemporânea, rogo seus bons préstimos messiânicos para me privilegiar (!!!) com

(1) um exemplar da obra, devidamente autografado e com dedicatória (!!!) e

(2) me nomear como Padre da Paróquia de Casa Forte – ou Amarela – da Igreja Católica Sertaneja, eis que sou fervoroso devoto há anos e leitor voraz do site/blog e dos livros de diversos cardeais, núncios, diáconos, cônegos, vigários, enfim, de toda a preclara malta de comparsas da Besta Fubana.

Faz tempo, inclusive, que não ocorrem nomeações!

Deve-se tal absurdo apostólico ao não recebimento de simonias ou a outro nobre motivo, V. Reverendíssima?

Receba meu forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade.

Subscrevo-me, ao passo que apresento meus votos de grande estima e elevada consideração por V. Parangolência.

R. O último exemplar d’A Prisão de São Benedito que eu tinha aqui comigo, já foi devidamente despachado pra você. Espero que goste da leitura deste meu despretensioso livreto de crônicas.

Quem quiser adquiri-lo, é só entrar na página da Editora Bagaço e fazer a solicitação via internet, pra receber em casa pelos correios. Com toda segurança e tranquilidade.

Aliás, podem ser adquiridos todos os meus títulos na página da Bagaço. É tudo baratinho, baratinho.

Agora, aqui entre nós: esse “vossa parangolência” com que você fechou sua mensagem foi pra entupigaitar!

No meu Papado eu já fui chamado de tudo pelos meus xeleléus e subordinados, mas de “parangolência” é a primeira vez!!!

Isso sem falar do tal do “forte amplexo, respeitados os limites da heterossexualidade“.

Essa foi pra torar!

E a tal das “simonias“??? É de lascar!!! Quem quiser saber o que danado é isto, que vá procurar lá no dicionário.

Pois você, seu cabra doido, já está nomeado Padre da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, com a missão de administrar a Paróquia da Casa Forte, aqui no Recife.

E fique ciente que a regra básica pra subir na hierarquia eclesiástica da nossa igreja, até chegar ao posto de Cardeal, é xaleirar e puxar o saco do Papa o mais que puder.

Não se esqueça nunca disso!!!

Dito isto, vou aproveitar o pretexto pra contar uma história.

É o seguinte:

O saudoso e querido Edwaldo Gomes, que era Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, foi um personagem que entrou para a história da cidade do Recife, uma figura amada e muito querida, tanto pelos paroquianos quanto por pessoas de todos os outros credos e religiões.

Amanhã, dia 19 de julho, se completam dois anos que ele encantou-se e partiu para o infinito.

Aliás, espirituoso e bem humorado que era, ele costumava dizer que acreditava no infinito, mas que não tinha pressa alguma de chegar lá…

Pois sempre que eu ia dar minha caminhada na Praça da Casa Forte, ele estava sentado em sua cadeira no terraço da casa paroquial. E de lá, para espanto das pessoas que caminhavam perto de mim, ele falava bem alto:

– A bênção, meu Papa.

Eu o abençoava fazendo o sinal da cruz e o povo ao redor ficava sem entender nada.

Nós dois, eu Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja, e ele Padre da Igreja Católica Apostólica Romana, tínhamos uma amizade sólida que muito me honrava e fazia feliz.

Ao contrário da padraiada moderna de hoje em dia, cheia de tarados e xibungos, que provocam um escândalo a cada semana, Padre Edwaldo era um homem honesto, um cidadão de excelente comportamento, e que exercia com muita dignidade o seu sacerdócio.

Era também um sujeito muito espirituoso e bem humorado.

Foi ele que batizou meu filho João. Na hora da cerimônia, esqueceu de baixar o som do microfone que trazia pendurado no pescoço, e a igreja inteira ouviu quando ele, dirigindo-se ao sacristão, disse o seguinte: “É a primeira vez que eu batizo o filho de um Papa“.

Eu ri que só a peste.

Na foto abaixo, feita há 13 anos (como o tempo passa ligeiro…), eu estou ao lado dele na sala da casa paroquial.

Ele bebericando a sua lapadinha de uísque de que tanto gostava, pra relaxar do expediente diário na paróquia

Você faz uma falta danado, Padre Edwaldo.

Nossa querida Casa Forte lamenta até hoje sua partida, Padre Nosso.

Um abração daqui da terra diretamente para sua morada aí no infinito!

Capa do livro Um Padre Nosso, da autoria de Vera Ferraz, sobre a vida desta figura legendária e querida da capital pernambucana

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