JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Aos poucos a gente vai percebendo que o muito importante é estar bem.

Que a verdadeira alegria traz sorrisos ao coração, e refrigera o espírito.

Que simples gestos são sofisticados demais para a compreensão de quem só acha a vida não seguindo além do último suspiro.

Que cheiros, sabores e lugares são elevados pelo poder de encantamento da pessoa nos acompanhando.

Aos poucos a gente vai percebendo que a vitória do time – ou do partido – não é nada diante do choro de muitos perdidos na possibilidade e na falta de esperança.

Que não é a cor da pele, ou a deidade adorada, a tradução da bondade e do caráter de alguém. Tampouco com quem ele deita à noite para sentir prazer.

Que não importa o bairro, o valor, ou o tamanho do apartamento. Mas se é um lar harmônico.

Que o valor de um carro pode ser medido pelas mentiras ocultadas em seu interior. Custa exatamente o valor moral do seu dono.

Que a dignidade é algo da alma, nunca da sala de estar atapetada, com móveis em madeira de lei, belas cortinas e quadros caros em suas paredes.

Que não importa o valor da mesa, da porcelana, do preço do prato, se a comida servida é fruto do desespero de alguém sem mesa, ou sem louça.

Que o lamento antecede o sorriso, mas que uma gargalhada pode vir antes de uma lágrima, e o tempo cura ambos: sorriso e lágrima.

Que o sobrenome importante não vale mais, se as atitudes praticadas exigem esconder o nome.

Que a embriaguez é tão saudável quanto a sobriedade, quando ambas nascem arrumadas na felicidade.

Que o tecido fino é a mesma coisa que o algodão trançado em grosso fio. Ambos encobrem intimidades.

Que uma légua andada por pés descalços, não tem a mesma distância se for vencida por pés em sapatos. Porém, ensina muito mais.

Que a loucura – ah, a loucura! – empresta à vida o que a lucidez dá de graça à arte, e a sanidade não pode ser contada maior que a loucura.

Que o perfume não é mais saudável que o banho.

Que o sonho não é produto do sono.

Que a paixão e o amor não vivem para a compreensão.

Que a vaidade é como uma armadilha projetada para quebrar a perna de quem a arma, ou como um fogo que só pode sair pela culatra.

Que a doçura não se perde por mais que possa ser desprezada por alguém.

Aos poucos…

Aos poucos a gente vai percebendo.

Aos poucos a gente vai percebendo que o muito importante é estar bem.

22 pensou em “AOS POUCOS…

  1. Estou mais feliz ainda, grande poeta, por senti-lo recuperado “desse viro doido” e sabê-lo ter voltado com a mesma inteligência e verve poética ao lugar que nunca saiu: o seu espaço no Jornal da Besta Fubana, nos deliciando com crônicas inteligentes e espirituosas, como AOS POUCOS.

    Aos poucos o nobre poeta abre-nos o coração cheio de esperança, poesia e amor.

    Jesus Ritinha de Miúdo. Não se nasce um filho desse a cada momento!

    SÓ NO NORDESTE DE ACARY!

    A Natureza nos deu a graça da sua volta! Por isso, vida longa!

    Parabéns!

    • O que deveria ser uma resposta para você, Cícero, saiu lá embaixo como resposta a Arthur Tavares.
      Dois Tavares!
      Ambos com coração enorme.
      Obrigado a ambos.

  2. Tem um monte de gente que fica esperando a volta de Jesus. A gente precisa dizer que, pra nossa alegria, ele voltou. E como sempre uma mensagem que é uma oração!!!

  3. Isso aí……

    Aprender a valorizar o que temos e não se ficar magoado ou entristecido pelo que não temos.
    Pouca ou muita familia ……. Valorizar a pouca familia. Esteio para a vida
    Pouco ou muito dinheiro …… valorizar o pouco dinheiro que temos. Base da sobrevivência
    Pouco ou muitos amigos ……. Valorizar os poucos amigos, Preciosiddes sem preço
    Pouca ou muita saúde…………..Valorizar a pouca saúde. É o que resta para estarmos vivos

    Enfim …….

    AOS POUCOS vamos calibrando nossos valores buscando a felicidade, neste caminhar dificil e fascinate pela vida.

    Que legal ter você de volta, saudável inspirado, com suas poesias e sentimentos palavreados, servindo de guia para, AOS POUCOS, encontrarmos nosso caminho.

    Benvindo com saúde, paz e muita luz…..

    • Cícero, seu comentário me arrancou emoções e quase lágrimas. E não é apenas fruto dos dias sombrios pelos quais passei com os pulmões inflamados, tampouco pela vitória sobre a Covid. É porque em suas palavras me senti querido.
      Obrigado.

  4. Até nos momentos difíceis vc acha inspiração para enaltecer a vida…valorizar o sorriso e a lágrima, harmonia familiar , pequenos gestos e situações comuns do viver , para encerrar que o importante é estar bem, livre da pandemia que vitimou muita gente…Quanta inspiração Jesus!!

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