PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus !

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “AOS OLHOS DELE – Florbela Espanca

  1. Tadinha da Florbela.

    Quando está longe de seu amado não acredita em nada, a coitada.

    Não acredita em Deus, na Virgem Santa, coisas doces de criança, segundo seu poema.

    E olhem que ela teve a sorte de ser contemporânea em tempo e local das três pastorinhas de Fátima, quando a Virgem Santa apareceu e fez o sol resplandecer em um dia fechado e chuvoso.

    Ela só volta a crer em Deus e na Virgem Santa ao ver seu amado.

    Pobre menina.

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