Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.
Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!
Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:
Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus !

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Tadinha da Florbela.
Quando está longe de seu amado não acredita em nada, a coitada.
Não acredita em Deus, na Virgem Santa, coisas doces de criança, segundo seu poema.
E olhem que ela teve a sorte de ser contemporânea em tempo e local das três pastorinhas de Fátima, quando a Virgem Santa apareceu e fez o sol resplandecer em um dia fechado e chuvoso.
Ela só volta a crer em Deus e na Virgem Santa ao ver seu amado.
Pobre menina.