CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Prezado Luiz Berto,

Comprei seu livro em um sebo da Paraíba.

Tem essa dedicatória ao poeta Asfora.

R. Meu caro, que preciosidade arretada essa que você me mandou!

Gostei demais!!!

Raymundo Asfora era um grande poeta e político paraibano.

Quando eu morava em Brasília, ele me foi apresentado por Orlando Tejo, muito amigo dele e seu companheiro de farras nos tempos em que ambos moravam em Campina Grande.

Tejo me pediu que eu autografasse um volume d’O Romance da Besta Fubana pra ele.

Exatamente este volume cuja dedicatória você me mandou, meu caro leitor.

Isto foi em agosto de 1983. Já lá se vão 38 anos.

Lembro-me que Tejo achou ótima a denominação de “poeta e tribuno” que dei ao seu amigo, então exercendo o cargo de Deputado Federal pela Paraíba.

De fato, ele era um excelente tribuno, tão bom e talentoso quanto era poeta.

Numa das muitas e muitas conversas que tive com Orlando Tejo, noites e noites a dentro, lembro-me de um tocante e comovente improviso de Raymundo Asfora que Tejo declamou pra mim e que trago na memória até hoje:

Não existe neste mundo
Uma tristeza mais triste
Que a tristeza que existe
Nos olhos de um moribundo.

Gratíssimo meu caro Antônio Manuel por este precioso presente que você me deu.

Já está guardado com muito carinho aqui nos meus arquivos.

E pra fechar a postagem, uma composição da autoria de Raymundo Asfora, um clássico intitulado Tropeiros da Borborema, que foi gravada por Luiz Gonzaga:

15 pensou em “ANTÔNIO MANUEL – JOÃO PESSOA-PB

    • Ah, as relíquias sagradas…

      Sou assíduo frequentador do Messias, o maior e melhor Sebo que meus olhos já viram, com mais de 50 anos no negócio livreiro e sempre que vou por lá garimpar (na unidade da Catedral da Sé), vejo, não raramente, exemplares com dedicatória postos a venda.

      Talvez tenha ocorrido de o “dono” haver falecido e os “herdeiros”, por “N” motivos terem se livrado da biblioteca do “de cujus”… Ou não.

      Vida que segue…

        • Caríssimo Berto, confesso não ter Asfora entre os que me fizeram perder (ganhar) tempo em algo de sua autoria (quantas figuras fantásticas desconhecemos, não e mesmo?).
          Fui até o destaque em azul e descobri que filiou-se à ARENA, como meu pai o era.
          E meu pai, o inesquecível Nelson Panza iniciou suas aventuras e desventuras na política filiando-se aos “integralistas” de Plínio Salgado e depois de levar umas borrachadas do Exército Brasileiro, abandonou tal prática e foi filiar-se exatamente onde estavam os milicos, ou seja, na ARENA.

          Por essas e outras fico mais viciado em “vossa e nossa” Gazeta Escrota, onde aprender é sempre serventia da casa.

          Quanto ao “dono” morreu, escrevi de modo genérico em referência aos muitos casos em que famílias se desfazem das obras que jazem em bibliotecas já sem uso, para abrir espaço na residência ou para auferir algum lucro, não me dirigindo pejorativamente (sabes que não é meu feitio) ao seu amigo.

          Assim me explico, pois senti em seu comentário um “certo descontentamento” com o que escrevi.

          Confesso não ter havido qualquer intenção de “denegrir” obra ou autor.

          Abraço fraterno,

          Luiz Carlos Sancho de Panza.

          • Descontentamento??? Vôte!!! Tu tás ficando leso.

            Não teve descontentamento algum de minha parte.

            E fiquei sem entender o que você quis dizer. Concordo plenamente com o que você escreveu.

            Provavelmente a família se desfez do acervo depois que ele encantou-se, eu acho.

            Botei o “dono” entre aspas apenas repetindo a maneira como você escreveu.

            Você é um cabra que mora na minha estima e na minha admiração.

            Abraços e uma excelente semana!

            • Valeu o retorno, pois como o cabra gozava de sua estima, fiquei pendurado em galho seco sobre o abismo, pois é complicado quando escrevemos algo que pode rachar o tal galho seco.

              E que fique o gigante amigo com uma ótima noite, que ja se aproxima.

              Abraçação, como diria Ciço, e uma excelente semana!

      • Doar para uma biblioteca faz mais sentido do que colocar em sebos livros com dedicatória.
        Eu acho que é uma questão de respeito tanto ao encantado como pelo autor.

  1. Uma opinião:

    É o cúmulo da falta de respeito e ganância, da pessoa que vendeu no sebo, obras tiradas do acervo literário deixado pelo grande tribuno e poeta, Dr. Raymundo Asfora, principalmente, com dedicatória do autor, como no caso d’O Romance da Besta Fubana, do consagrado escritor Luiz Berto.

    • Concordo plenamente. Injustificável seja por qual motivo for. Obras autografadas e com dedicatória ficam no acervo. Em respeito a quem recebeu (mesmo que já tenha falecido) como pelo com o autor (ou quem presentou e colocou dedicatória).
      A assinatura do Berto no meu livro não tem preço. Não vendo, não alugo e não empresto. Existe em minha casa um local reservado para livros autografados que vão ficar sempre, pra sempre, com a família.

      • Schirley,

        Estás, como Vivi, incorrendo no equívoco de “esquecer” que o Brasil não é um país de “leitores” apaixonados pelo bem escrever, que chamo carinhosamente de “traças de livros”. Nem alfabetizado corretamente o Brasil é. Para uma grande maioria (que tristeza), livro é apenas papel a ficar velho, que se acumula em uma casa e para nada serve.

        Certa feita, fui morar em uma residência em Barra do Piraí e o antigo morador por lá deixou uma velha estante com uns 500 livros mofados, cheios de traças e inservíveis para a leitura, que tive que jogar ao lixo com uma dor danada no coração.

        Infelizmente “cultura” não é o forte de nossa gente…

        • Fico indignada. Enfurecida. Aprendi desde sempre a tratar os livros como joias. Autografados e com dedicatória mais ainda.
          Mas (não pode faltar) você tem razão. Nosso povo está muito aquém de saber a importância da leitura quem dirá de dar valor aos livros.
          Tenho livros espalhados pela casa toda. Meus filhos sabem que se não puderem ou não quiserem ficar com os “professores” terão que doá-los para bibliotecas. Jamais vende-los.

          E o Quixote Véi de Guerra ? Melhor ?

          Sempre, até sempre

  2. Comigo aconhteceu algo parecido. Alguns discos meus, autografados para a mesma pessoa, encontrei no Mercado Livre, postos à venda. Bateu-me uma tristeza danada pelo descaso e, diria até, falta de respeito. Só eliminei a dúvida de que falaria ou não com a pessoa depois que o rapaz, infelizmente, faleceu. Era um cantor de Forró que residia no Rio de Janeiro.

  3. Exatamente Xico.
    Mesmo que a pessoa (dona do objeto) tenha falecido não se descarta o momento que pra ele/ela foi importante. Passar para a próxima geração e assim por diante.

  4. Quando eu era acadêmica de Direito, assisti um júri aqui em Natal, que teve com Assistente de Acusação, o grande tribuno e poeta paraibano, Dr. Raymundo Asfora.
    O Réu era o PM Sargento Antônio Libório, um dos acusados do brutal assassinato do médico e parlamentar de Caicó (RN), Dr.Carlindo Dantas.
    Foi o Júri que mais me impressionou na minha vida, até hoje, pela inteligência, eloquência e beleza do Assistente de Acusação, Dr. Raymundo Asfora.

    Nunca esqueci…

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