Venho ensopar de lágrimas o lenço
No tristíssimo adeus de despedida;
Em breve a Pátria vou deixar perdida
Além – na curva do horizonte imenso!
Em breve sobre o mar profundo e extenso
Adejará minh’alma dolorida,
Como a gaivota errante, foragida,
Sem ter um ninho onde pousar, suspenso!
Então, senhora, hei de pensar, tristonho,
Revendo a vossa angélica bondade,
Neste ninho de amor calmo e risonho;
E triste, sobre a triste imensidade,
Como quem despertou de um ledo sonho,
Hei de chorar o pranto da saudade.

Adelino Fontoura Chaves, Axixá-MA (1859-1884 – 25 anos)
O pobre Adelino que morreu, coitado, aos 25 anos, era um porre de chato.
Quem conseguiria conviver com um ser depressivo desses?