PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Vi-a passar, a lúbrica Maria,
olhar sereno, indiferente, à toa …
Ao vê-la o coração da gente entoa
dentro do peito uns hinos de alegria.

Débil, franzina, o mundo lhe perdoa
os pecados da carne, e acaricia
aquela carnação torpe, doentia,
que encerra uma alma afetuosa e boa …

Vi-a depois no leito da agonia,
a se estorcer na derradeira luta,
quase cadáver, pálida, sombria …

E eu disse dentro em mim: Alma corrupta,
se tu vivesses mais sequer um dia,
eu te amaria ainda, prostituta!

Adolfo Ferreira dos Santos Caminha, Aracati-CE (1867-1897)

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