Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,
Este amor infeliz, como se fora
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,
Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida.
A crua e rija lâmina homicida
Do seu desdém vara-me o peito; embora,
Que o amor que cresce nele, e nele mora,
Só findará quando findar-me a vida!
Ó meu amor! como num mar profundo,
Achaste em mim teu álgido, teu fundo,
Teu derradeiro, teu feral abrigo!
E qual do rei de Tule a taça de ouro,
Ó meu sacro, ó meu único tesouro!
Ó meu amor! tu morrerás comigo!
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Raimundo da Mota de Azevedo Correia, São Luís-MA (1859-1911)
Ler um soneto destes, depois de me deleitar, curtir, criticar, emocionar, viver com os da Florbela; é como tomar um uísque nacional, depois de tomar um single malte escocês envelhecido.
Traduzindo para o português atual, Raimundo era “Gado Demais”.