Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.
Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.
Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.
Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)
Utilizando uma linguagem simples, mas carregada de significado filosófico, o poema AMANHÃ, de Patativa do Assaré, traz uma reflexão profunda sobre a dualidade entre a esperança humana e a inevitabilidade da morte.
Por meio do texto, o autor aborda como o ser humano projeta seus desejos e necessidades no futuro imediato, tratando o AMANHÃ como uma solução para os males do presente e, mais pra frente, na última estrofe, ele apresenta com categoria o contraste com a ideia de finitude:
Enquanto todos caminham “alegres e sorridentes” guiados pela esperança, o poeta nos lembra de uma verdade tantas vezes esquecida: a de que “a morte também chega amanhã”.
Por conta disso tudo, eu pensei em findar o meu trabalho e comentar amanhã, mas mudei de ideia e decidi comentar ainda hoje.
Comentário enviado… e segue o baile.
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