ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

GALO DA MADRUGADA EM 2021

O Galo da Madrugada
Está de quarentena
Não vai haver carnaval
Pra quem gosta dá pena
O Galo tem bom senso
Não quer o povo tenso
Este ano sai de cena.

E POR FALAR EM AMOR!

Amar é iluminar
Não deixar escurecer
Ter luz na consciência
Do outro não depender
Amor está em quem dá
Não em quem vai receber.

EDUCAR PARA EVOLUIR

O nosso povo precisa
Ter coragem pra mudar
Deixar o tal jeitinho
Atitudes moralizar
Focando em emprego
E aos jovens educar.

A LÁGRIMA DA SAUDADE

Lágrima mais bonita
É a que nos afaga
Nasce de belos risos
De sonho que não apaga
Noção de esperança
Energia que não larga.

VIVA JOÃO PARAIBANO

João Paraibano
Cantou a natureza
Poeta Fenomenal
Usava a destreza
Criou versos perfeitos
Fez arte com grandeza.

8 pensou em “ALGUNS POEMAS BREVES

  1. Parabéns pela excelente postagem, prezado poeta Aristeu Bezerra! Gostei imensamente dos seus “POEMAS BREVES”. Sua verve poética é eclética e inteligente.
    Destaco este poema, pertinente e bonito:

    GALO DA MADRUGADA EM 2021

    O Galo da Madrugada
    Está de quarentena
    Não vai haver carnaval
    Pra quem gosta dá pena
    O Galo tem bom senso
    Não quer o povo tenso
    Este ano sai de cena.

    Um grande abraço.

    Violante

    • Violante,

      Agradeço seu generoso comentário. Acredito que a poesia pode estar em tudo: em uma situação cotidiana, em uma paisagem, em uma fotografia, nas artes plásticas e em um poema. Ela está associada a uma atitude criativa, e não a um gênero literário. Considero a poesia, numa definição mais ampla, que pode estar presente em diversas manifestações artísticas. Aproveito a oportunidade para compartilhar um poema com a prezada amiga:

      ESQUECER

      Esquecer o mal e pensar no bem,
      Esquecer a ofensa e pensar no perdão.
      Esquecer a tristeza e pensar na alegria,
      Esquecer a divergência e pensar na união.
      Esquecer o caos e pensar na harmonia,
      Esquecer o problema e pensar na solução.
      Esquecer a adversidade e pensar no desafio.
      Esquecer a dor e pensar na libertação.

      Uma semana plena de paz, saúde e alegria

      Aristeu

      • A poesia está na alma do poeta, Aristeu! E ele a coloca em tudo o que faz!

        Obrigada por compartilhar comigo este poema, tão bonito e profundo, Aristeu! Ele encerra o segredo da felicidade e do bem viver.
        “Esquecer” é uma virtude, que nos traz paz de espírito.. Feliz de quem perdoa e esquece facilmente..

        Uma ótima semana! Muita Saúde e Paz!

        Violante

  2. Muito bem lembrado a homenagem poética a João Paraibano (1952 – 2014), através de um poema breve para quem foi tão grande na arte do repente. João Pereira da Luz, mais conhecido como João Paraibano foi um poeta e repentista paraibano, que viveu muitos anos em Afogados da Ingazeira no Sertão pernambucano. João nunca frequentou escola, mas sempre criou seus versos de improviso, foi um dos principais repentistas do país, e participou de dezenas de festivais pelo Brasil inteiro. O repentista foi ganhador de vários festivais de violeiros, com três participações no Fantástico pela Rede Globo de Televisão, juntamente com o poeta Sebastião Dias.

    • Vitorino,

      É gratificante receber o comentário de quem aprecia o admirável mundo do repente. Tenho uma grande estima pelo poeta e repentista João Paraibano, pois tive oportunidade de assistir grandes apresentações dele com outros talentos da arte de improvisar.
      João Paraibano é considerado por muitos apologistas e admiradores da cantoria como um dos maiores cantadores de repente. Sua nobreza ficava ainda maior quando o tema referia-se ao Sertão, onde ao longo dos vários anos tornou-se especialista no tema. Entretanto, foi um grande poeta cantando sobre outros assuntos da cultura popular de improviso.
      Compartilho uma estrofe desse genial cantador de viola com o prezado amigo:

      Tem noites que canto mal
      Mas quando eu canto feliz
      Deus me mostra um verso pronto
      E eu digo ao povo que fiz
      Que nem sempre a língua é dona
      Das frases que a boca diz.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. Os poemas breves são bons e não perdem conteúdo devido a serem curtos. Um me chamou particulamente a atenção: E POR FALAR EM AMOR. Coincidentemente estou lendo um texto de
    Arthur Schopenhauer, no livro “A arte de insultar” e envio, abaixo, para o colunista.

    O HOMEM: UM SER MENTIROSO

    Existe no mundo apenas um ser mentiroso: o homem. Todos os outros seres são verdadeiros e sinceros, pois mostram-se abertamente como são e manifestam o que sentem. Uma expressão emblemática ou alegórica dessa diferença fundamental é o fato de que todos os animais andam com o seu aspecto natural, o que contribui bastante para a impressão agradável que se tem ao vê-los; especialmente quando se trata de animais livres, tal visão enche o meu coração de alegria. Em contrapartida, devido ao seu vestuário, o ser humano tornou-se uma caricatura, um monstro; o simples fato de vê-lo é já algo de repugnante, que se destaca até pelo branco da sua pele, tão natural a ele, e pelas consequências repulsivas da sua alimentação à base de carne, que vai contra a natureza, bem como das bebidas alcoólicas, do tabaco, dos excessos e das doenças. Ele surge como uma mácula da natureza!

    • Neide,

      Grato por seu comentário gentil. Quanto ao texto de Arthur Schopenhauer, no livro “A arte de insultar”, confesso que não conhecia e achei-o interessante, instigante e merecedor de reflexão. Retribuo sua amabilidade compartilhando o poema Autopsicografia de Fernando Pessoa que revela a identidade de um poeta e aborda o processo de escrever poesia:

      AUTOPSICOGRAFIA

      O poeta é um fingidor
      Finge tão completamente
      Que chega a fingir que é dor
      A dor que deveras sente.

      E os que leem o que escreve,
      Na dor lida sentem bem,
      Não as duas que ele teve,
      Mas só a que eles não têm.

      E assim nas calhas de roda
      Gira, a entreter a razão,
      Esse comboio de corda
      Que se chama coração.

      OBSERVAÇÃO:

      Na primeira estrofe é possível verificar a existência de uma metáfora que classifica o poeta como um fingidor. Isso não significa que o poeta seja um mentiroso ou alguém dissimulado, mas que é capaz de se transformar nos próprios sentimentos que estão dentro dele. Por essa razão, consegue se expressar de maneira única.
      Se no senso comum o conceito do fingidor costuma ter um significado pejorativo, nos versos de Fernando Pessoa temos a noção de que o fingimento é um instrumento da criação literária.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

      • Autopsicografia é uma das poesias mais conhecidas de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da língua portuguesa, mas não tinha conhecimento que a primeira estrofe uma estrofe era uma metáfora tendo o significado que o poeta é capaz de se transformar nos próprios sentimentos que estão dentro dele. Vivendo e aprendendo.

Deixe uma resposta