O desfecho da liquidação extrajudicial do Banco Master, pelo Banco Central, bem como a prisão de Daniel Vorcaro no aeroporto, saindo do Brasil com destino a Dubai, teve o mesmo efeito de uma boa mexida num formigueiro. No primeiro ato, de forma inédita, um ministro do TCU quase suspende o processo de liquidação, num flagrante contraponto tantos às funções do Banco Central, quanto do próprio TCU.
O segundo ato foi divulgado um contrato no valor de R$ 129 milhões firmado entre o escritório da esposa de Alexandre de Morais e o banco Master e daí se começou a perceber que o ministro agiu, junto ao Banco Central, em defesa do banco Master, mas o melhor ainda estava chegando.
Terceiro ato trouxe a decisão de Dias Toffoli de levar o processo para o STF e todos nós sabemos que isso ocorre quando se tem alguém de foro privilegiado envolvido. O interessante é que o processo não foi distribuído, foi reivindicado pelo ministro para que ele relatasse. E a coisa começa de forma espetacular: Dias Toffoli viaja para o Peru, sob o pretexto de assistir um jogo, com ninguém menos, que o advogado do banco Master. Entre Brasília e Lima tem, aproximadamente 3.195 km, um voo direto leva algo como 4:25 h, mas nessas 8:30 horas, juntos, eles falaram apenas de futebol. Deus é testemunha.
Concatenando o primeiro e o terceiro ato, pela interferência do TCU nessa jogada, acreditava-se tratar do envolvimento de deputados ligados ao Centrão e o envolvimento da família de Dias Toffoli, naquele instante, pareceu algo superficial. Era simples a explicação: seu irmão, proprietário de um resort no norte do Paraná, tinha vendido as cotas da empresa para um fundo ligado ao banco Master. Dias Toffoli não tinha participação na empresa e a blindagem que ele fez do processo, chegando até proibir que a CPMI do INSS tivesse acesso a algumas coisas do banco Master.
Não tardou muito e começaram a aparecer fotos de Dias Toffoli recebendo banqueiros, como o André Esteves e os funcionários do resort – ô raça – começaram a falar sobre a “casa do ministro”. Não tardou muito e eis que foi divulgado uma reunião fora da agenda do presidente da república com o Daniel Vorcaro e Augusto Lima, com a presença de Galípolo e Rui Costa. Veja bem: ninguém registrou o encontro na agenda.
O lado engraçado vem agora: não faz muito tempo, o presidente da república disse que o caso do banco Master envolvia “os magnatas” da corrupção e que o governo estava desvendando isso. Por que isso é engraçado? Pelo seguinte: durante muito tempo se perguntou – pausadamente e com dedo em riste – quem man-dou ma-tar Ma-ri-elle? Era a pergunta mais acusatória que se tinha conhecimento naquele momento. E aí descobriram que os responsáveis pela morte dessa jovem eram dois aliados do PT e eleitores e cabos eleitorais de Dilma. Ao se referir “aos magnatas” da corrupção, o presidente estava se referindo ao advogado das campanhas do PT em 1998, 2002 e 2006.
A fritura de Toffoli começou com fogo brando. O presidente da república sugeriu que Toffoli saísse do caso. Era uma forma de minorar o problema e isso não respingar na sua campanha. O ministro se fez de mouco e continuo proibindo, limitando, ameaçando, até que, as mensagens apagadas do celular de Vorcaro apontam pagamento de R$ 20 milhões para o ministro. Bom, considerando o teto constitucional, R$ 46 mil, e o fato de que algo da ordem de 50% são descontos, vamos admitir que o ministro receba R$ 23 mil/mês. Se ele aplicasse esse dinheiro, a taxa de 15% ao ano (SELIC), ele iria juntar R$ 20 milhões em 208 meses, ou seja, 17 anos e pouco. O detalhe: ele não poderia tirar nenhum centavo do valor líquido para nada. Então, considerando que isso é impossível, fica claro que esse montante é inatingível, nessas condições.
Toffoli deixa a relatoria do processo sob uma condição: apoio dos ministros e defesa do seu nome público. Os jornais noticiaram como ocorreram e quem participou das reuniões entre ministros para negociar a saída de Toffoli. Não poderia parecer que ele estava sendo substituído, tinha que parecer que ele – com seu espírito magnânimo – preferiu afastar-se do processo para manter a lisura. A coisa ainda tem muito a se conhecer, mas não deixa de trazer fatos intrigantes: Renan Calheiros, 17 processos de improbidade administrativa e nunca condenado pelo STF porque sempre obedeceu aos interesses da corte, numa comitiva para solicitar que não do processo fosse alterado, perdido ou afim. É de morrer de rir.
O lado realista da história: tudo caminha para o abandono do ministro. O relatório de 200 páginas produzido pela PF – e que foi chamado de lixo jurídico pelos pares – de acordo com o próprio sentimento do ministro, é fruto de autorização do presidente da república. Eu não tenho dúvidas sobre isso. O presidente sempre agiu na defesa dos seus próprios interesses e sacrificar um ou outro não significa, absolutamente, nada para ele.
Nesse sentido, não custa a gente “curtir” a cara de paisagem de Geraldo Alckmin ao ser, publicamente, abandonado. Alckmin passou dez anos acusando o presidente de roubo, de falcatrua. Num debate ele chegou a perguntar: “de onde veio R$ 1,7 milhão que foi usado para produzir um dossiê fajuto contra ele?” Lula não respondeu e eu espero, com todas as forças da minha alma, que esse FDP saiba hoje essa resposta.
O presidente quer força completa para enfrentar Tarcísio em São Paulo. Coisa como Alckimin para governador, Haddad e Marina Silva para o senado. O interesse é nítido: evitar uma vitória de Tarcísio no primeiro turno para que ele não tenha tempo para apoiar um opositor. Lula só pensa em Lula. ACORDA BRASIL!
O cocada sempre deu cobertura aos atos dos protagonistas citados, portanto está imerso no quadrilhão.
Zequinha, eu acredito que o problema inicial é o caso do ministro. Como foi dito abaixo por Marcelo, as coisas caminham para não contaminar o governo. Por isso a anuência do presidente e algumas sugestões públicas de que ele deveria sair. Enfim, no Brasil quando a gente espera uma vitória pode se defrontar com um 7 x 1.
E como “ solução “ para todo esse escândalo , enquanto o Brasil assiste em horário nobre o desfile de Lula e sua trupe numa escola de samba , Brasília opera para aceitar o impeachment de Toffoli ( para agradar a oposição) , Alcolumbre ( por ter aberto o processo ) é agraciado com Pacheco no STF e o governo consegue colocar no STF o “ Bessias “.
O sistema troca suas engrenagens em andamento e não para .
Acredito que deve ser assim mesmo. Só resta combinar com Dias Toffoli. Aos 58 anos, ele teria mais 17 anos como ministro, caso queira. Será mesmo que ele vai se “sacrificar”? Eu creio que sem foro privilegiado ele seria um alvo muito aberto para ações penais. E ele sabe demais.
Tudo se arranja. Xadrez – o jogo – tem 64 casas e como a dama e o rei se movimentam em todas as direções, tudo é possível.
Caro Assuero, sempre um texto claro e de fácil entendimento. Ao meu ver, tudo isso é jogo de cena, como já vimos em tempos idos sem o escancaramento de hoje, eram mais recatados, se brincarem em entregar cabeças, lembremos Celso Daniel e Toninho do PT. Abraços!
Xavier, meu querido. Obrigado pela atenção. Enquanto a gente protesta, uma escola de samba aproveitar para sambar sobre a nossa indignação