MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Acabou o mês de dezembro, e com ele acabou o ano. Acabou também a primavera, e o verão já está em seu lugar.

Acabou a copa e acabou a espera de Messi pelo título de campeão mundial. Para Cristiano Ronaldo, acabou (?) o sonho deste mesmo título de campeão. Para o Brasil, a esperança do hexa acabou mas já foi renovada para a próxima copa.

Acabou a pandemia, embora muitos a mantenham guardadinha em uma prateleira de fácil acesso, pronta para ser usada novamente. Mostrou-se muito eficaz para esconder problemas, desculpar erros, justificar todo tipo de arbitrariedade e prepotência. E o público em geral gostou de sentir-se moralmente superior ao gritar para os outros “use máscara” e “fique em casa”.

Acabou, ao menos oficialmente, a eleição, embora já esteja claro que para a maioria dos brasileiros, a tal democracia só é boa quando é o candidato dele quem ganha.

O que não acabou foi a guerra. Entra ano, sai ano, e sempre em algum lugar do mundo há pessoas morrendo e pessoas matando sem saber direito por quê. Muita gente acha isso normal, e até torce para um dos lados matar mais e “ganhar”, como se fosse um jogo da copa.

De qualquer forma, 2022 está acabando e 2023 vai começar. Vamos a ele.

2 pensou em “ACABOU

  1. O Bertoluci, não é que a gente só fica feliz quando o candidato da gente ganha, o problema é a parcialidade de “FIFA” das eleições. O competidor deles, ao contrário de 2002, quando fez uma carta ao povo brasileiro para melhorar sua imagem, desde que foi colocado no páreo não se deu ao trabalho de ter cuidado com o que dizia com todas as letras e que teoricamente são contraproducentes na intenção de angariar votos. Sabia que seria o vencedor.

    • Sérgio, eu tenho evitado falar de política. Mas explico:
      Acreditar na democracia implica acreditar nas instituições (não é o meu caso, que não acredito nem em uma nem em outra).

      Se somos, supostamente, uma democracia, mas o sistema eleitoral é ruim, o TSE é ruim, o STF é ruim, o congresso é ruim, então a conclusão inevitável é que a democracia não funciona tão bem assim.

      Explicando de outro jeito: na eleição anterior, o grupo que perdeu ficou meses gritando “Bolsonaro não me representa”. A alegação é que Lula havia sido preso ilegalmente para não poder participar das eleições. Agora, o grupo que perdeu também diz que não aceita o resultado e a alegação, de novo, é que a eleição foi manipulada. Independente de quem tem ou não razão, de quem tem ou não provas do que alega, o fato é que se, repetidamente, o grupo que perde não aceita o resultado alegando que as instituições não funcionaram, não dá para chamar isso de democracia, onde um dos conceitos básicos é que a minoria se submete à vontade da maioria e todos confiam nas tais instituições.

Deixe um comentário para Marcelo Bertoluci Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *