ALEXANDRE GARCIA

Até onde vai a garantia da fonte para o jornalista? O sigilo da fonte não está nada garantido depois dessa decisão do ministro Alexandre de Moraes, que usou o “inquérito do fim do mundo” no Maranhão para ordenar busca e apreensão contra um ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos. Esse ex-secretário teria passado a um jornalista informações sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão por integrantes da família de Flávio Dino, para eventos sem ligação com o múnus da Justiça.

As pessoas se apropriam das coisas do Estado. Se isso acontecesse em um país escandinavo, primeiro, seria respeitado o sigilo da fonte; e, segundo, isso seria um escândalo gigantesco. Na Finlândia, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega, os ministros da Suprema Corte vão de bicicleta ou de metrô para o trabalho, e não têm nem residência paga pelo Estado, nem roupa lavada. Eu cheguei a conhecer um ministro do Supremo que lavava e passava a própria roupa, e fazia sua comida – acho que era Néri da Silveira, mas já não estou certo. O certo é que nós não podemos nos acostumar com esse tipo de mordomias e regalias.

Não vou entrar na questão individual, porque eu não conheço todos os detalhes; há inclusive uma informação que procura justificar a busca e apreensão alegando que Raimundo Cutrim teria transferido R$ 100 mil para o jornalista Luís Pablo. Em geral, jornalista recebe a informação e agradece. Se o jornalista levou algum dinheiro, precisa procurar outra coisa para fazer, porque não é mais digno de continuar no jornalismo. Em toda a minha vida de jornalista, só houve uma tentativa de me subornar, que eu narrei no meu livro. Calim Eid ficou com a mão estendida, segurando um maço de dólares, e eu fui embora, obviamente – e publiquei tudo depois, essa tentativa de me dar um presente. Jornalista não aceita presentes.

Um comentário em “ABOLIDO O SIGILO DA FONTE JORNALÍSTICA NO BRASIL”

  1. Eu já tinha dito, e aqui mesmo no JBF…..no dia em que as ovelhas rebeldes se acabarem, os perseguidores iriam atrás das ovelhas comportadas. Eu quero é mais. Os jornalistas alimentaram o monstro, cevaram o monstro, acariciaram o monstro… agora que o monstro mostra os dentes para eles, estão todos se borrando de medo.

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