Bem depressa sumiu-se a vaporosa
Nuvem de amores, de ilusões tão bela;
O brilho se apagou daquela estrela
Que a vida lhe tornava venturosa!
Sombras que passam, sombras cor-de-rosa
– Todas se foram num festivo bando,
Fugazes sonhos, gárrulos voando
– Resta somente uma alma tristurosa!
Coitada! o gozo lhe fugiu correndo,
Hoje ela habita a erma soledade,
Em que vive e em que aos poucos vai morrendo!
Seu rosto triste, seu olhar magoado,
Fazem lembrar em noite de saudade
A luz mortiça de um olhar nublado.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)
Olha, vendo este poema do nosso poeta Augusto dos anjos de Cruz do Espírito Santo – PB e sendo fã, que sou da minha admirada Florbela, eu diria que ele o fez dirigindo-se a ela.
Só que as datas não batem, pois quando este veio a falecer em 1914, aos 30 anos, Florbela, que estava em Portugal, estava no auge de sua juventude e ainda não publicara livro algum.
Coincidências? Não sei, o mundo dos poetas é muito vasto e existe um lugar no universo onde se comunicam.