CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Em 1982 eu estava no auge do jornalismo profissional e pude presenciar episódios que se ampliam além da notícia, passando para o anedotário. Nesse ano Pernambuco fervia como um caldeirão na brasa, quando concorriam ao governo estadual: Marcos de Barros Freire e Roberto de Magalhães Melo.

Época em que só disputavam dois partidos: a ARENA e o PMDB. O bipartidarismo garroteara várias tendências numa única agremiação: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Alguns políticos e parte da Imprensa se alojaram na canhota aglutinados no PMDB. Os pelegos, os oportunistas e os bem intencionados se espremiam – alguns de certa forma constrangidos – no partido do Governo: a Aliança Renovadora Nacional.

Naquele tempo a contagem dos votos ocorria nos salões do Clube Internacional do Recife. Os serviços se prolongavam por mais de uma semana. Era muito papel nas mesas: anotações, manuais das cédulas, Fiscais de Partidos e Cabos Eleitorais, todos em frenesi. Os da Imprensa faziam um fuzuê: máquinas fotográficas clicando, políticos sendo entrevistados, microfones e fios que mais pareciam u’a espalhados pelo salão.

Um aglomerado de emoções em festa democrática. Mas o melhor eram os noticiários dos jornais nos dias seguintes, quando Roberto Magalhães, em 20 de novembro de 1982, começou a tomar a dianteira:

“Com 40% dos votos apurados amplia-se a vantagem de Roberto Magalhães”.

“Espera-se hoje a virada de Marcos Freire.”

“Marcos Freire vem aí, de virada.”

“Com quase 70% dos votos apurados PMDB ainda espera pela virada”.

E finalmente a manchete em oito colunas, na edição de 26 de novembro, do Diário de Pernambuco:

“Roberto Magalhães concretiza a vitória” 

Alegre e presepeiro o advogado José David, para encabular alguns amigos, utilizou uma estratégia nunca vista. Rebocou uma Kombi lá num ferro-velho de Caxangá e estacionou o veículo de roda pra cima na frente do Diário de Pernambuco, com uma faixa bem escandalosa:

A VIRADA DE MARCOS FREIRE

2 pensou em “A VIRADA DE MARCOS FREIRE

  1. Que ele virou, virou! Pode até não ter sido ele. Só faltou os portugueses contando o vira vira. E quem sabe o Marcos Freire poderia virar lobisomem. KKKKKkkkkkkkkkk

  2. Seu Deco,

    Vejo que o senhor já virou leitor de carteirinha de meu besteirol e tem bom humor pelo que escreve.

    Um concorrente danado!

    Abração,

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