A estação deserta após viagem
A viagem da volta ao final das férias, sempre vai ser muito diferente e menos emocionante que a viagem da chegada para viver o período de férias. Férias escolares, explique-se.
Na chegada, há lágrimas. Lágrimas de alegria.
Na viagem da volta, também há lágrimas. Lágrimas de tristeza, de despedida.
A chegada é feita com flores de boas-vindas. A viagem da volta leva sempre malas abarrotadas de tristezas e da saudade que começa a bater naquele instante.
A estação vive festa para a viagem de chegada.
A estação cresce impulsionada pelo fermento da alegria. Na viagem da volta, a estação se entristece, se apequena, diminui.
A viagem será sempre uma viagem.
* * *
A espera
A espera do encontro poético
Esperei, conforme combinamos.
Escolhi um dos melhores locais para esperar-te, conforme tens demonstrado nas nossas (mais tuas que minhas) comunicações.
Esperar é ter a certeza da tua presença.
É como a rima de um soneto, e de uma poesia, cuja ausência gera um descontrole – e o encontro e a poesia não se completam.
Esperei, conforme combinamos.
Escolhi um lugar onde as flores estavam vicejantes, bonitas, tanto quanto tu e a tua presença.
Enquanto esperava, e, sentindo a tua ausência, colhi flores que tinham o teu perfume – talvez por isso a tua demora me fez entristecer..
Esperei, conforme combinamos.
Não combinamos tua demora, tampouco tua ausência.
Escolhi um bom banco, onde havia as flores mais lindas e perfumadas. Os lampiões desenhavam o entorno de uma neblina fraca. Pouco sabiam que eu estava te esperando, conforme combinamos.
A neblina virou chuva. Os lampiões acendiam e apagavam sinalizando que não virias, e fui embora.
Molhado.
Triste.
Cabisbaixo, mas consciente que te esperarei. Se combinarmos.
* * *
A semente semeada
Semear sementes é dar chances à vida
“Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Soberano, o Senhor, fará nascer a justiça e o louvor
diante de todas as nações.”
O que você semear, nascerá.
E o fruto, doce ou azedo, chegará até você.
Alguém que caminhou pelo deserto, passou sede e sofreu fisicamente, pelas mãos divinas alcançou a “Terra prometida” – e é chegada a hora de semear a boa semente. Essa nascerá e servirá de alimento para muitos.
O bezerro de ouro edificado com o vosso sangue e a vossa adoração, perecerá.
O despertar será renovado – porque de Deus, ninguém zombará.


