DEU NO JORNAL

Ao demolir a suposta “tentativa de golpe”, segundo avaliação do deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), Luiz Fux deu uma “verdadeira aula de direito e justiça, deixando envergonhados os ministros que já votaram, pela pobreza técnica e parcialidade de seus votos”.

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Nessa nota aí de cima, o parlamentar diz que o voto de Fux acabou “deixando envergonhados” os seus colegas.

Envergonhados??

Sei não, sinhô deputado…

Acho que isso não aconteceu.

E nem vai acontecer nunca!

2 pensou em “A VERGONHA TÁ DESCARTADA

  1. O elogio do deputado Ubiratan Sanderson a Luiz Fux soa menos como uma análise jurídica e mais como um exercício de propaganda política mal disfarçada. Afirmar que um ministro do STF deu uma “verdadeira aula de direito e justiça” ao demolir a tese de “tentativa de golpe” é, no mínimo, um contrassenso. Em primeiro lugar, não cabe ao ministro posar de professor em plenário; cabe fundamentar seu voto com rigor técnico e respaldo jurídico, algo que deveria ser obrigação, não exceção. Quando um parlamentar enxerga numa decisão isolada uma “aula”, é sinal de que o padrão geral de qualidade é tão baixo que qualquer frase bem alinhada já soa como peça de oratória brilhante.

    Chamar os demais ministros de “envergonhados” é pura retórica de arquibancada. A suposta “pobreza técnica” de votos divergentes não se resolve com aplausos de ocasião. O STF, hoje, funciona mais como palco de vaidades e arena política do que como corte constitucional. A acusação de parcialidade que recai sobre uns não desaparece magicamente só porque um outro ministro vota de acordo com a conveniência momentânea de determinados grupos.

    A fala de Sanderson ignora o essencial: se houve ou não tentativa de golpe é uma questão de fato e de direito, não de marketing. A realidade não muda porque um ministro escolheu palavras bonitas para sustentar sua posição. Transformar um voto em espetáculo, enquanto o tribunal coleciona contradições, atropelos processuais e decisões de cunho político, é apenas reforçar a degradação da Justiça brasileira.

    Em resumo: aplaudir um voto como se fosse uma epifania não apaga o descrédito que paira sobre o STF. A corte deixou há tempos de ser referência técnica e se tornou um balcão de interesses, onde ministros posam de oráculos e deputados fingem enxergar sabedoria. O discurso de Sanderson não é uma defesa da justiça — é apenas mais uma peça de retórica barata, tentando vender como “aula” o que, na prática, não passa de mais um capítulo da falência institucional que vivemos.

    Quando o deputado Ubiratan Sanderson diz que Luiz Fux deu uma “verdadeira aula de direito e justiça”, só pode estar falando de um curso de retórica circense. Chamar um voto no STF de “aula” é como chamar um goleiro que defende um pênalti de “prêmio Nobel da Física”: pura forçação de barra. O máximo que se viu foi mais um teatrinho togado, onde ministros disputam quem faz a frase mais pomposa para virar manchete.

    E essa história de que os demais ministros ficaram “envergonhados” pela “pobreza técnica” dos seus votos é uma piada pronta. O STF já se transformou numa espécie de stand-up jurídico, onde a técnica é sempre atropelada pela conveniência política. Se a corte realmente fosse movida por rigor jurídico, não estaríamos assistindo a decisões contraditórias, casuísticas e com sabor de tribunal de exceção.

    A “tentativa de golpe” virou o curinga retórico: para uns, é fato consumado; para outros, é invenção. No fundo, todos sabem que o STF virou o palco onde se encena essa novela. Cada ministro, com seu ego inflado, atua como se fosse estrela de Broadway, e deputados como Sanderson aplaudem como plateia deslumbrada, fingindo ver sabedoria onde há apenas teatro.

    No fim, a fala de Sanderson não desmonta nada. É só mais uma falácia de estimação: transforma uma posição isolada de Fux em “aula magna” para tentar legitimar uma corte desacreditada, cujos membros mais parecem “cretinistros” de toga do que guardiões da Constituição. A real “pobreza técnica” está justamente em chamar de Justiça aquilo que virou espetáculo político.

    E a pérola maior: dizer que os demais ministros ficaram “envergonhados”. Por favor. Vergonha é um sentimento que não circula no STF há décadas. Ali, a régua não é técnica, é política. Um dia, o ministro posa de jurista iluminado; no outro, parece animador de auditório, pronto para arrancar aplausos da torcida. A chamada “pobreza técnica” não está nos votos divergentes — está na farsa montada, nesse circo togado onde cada um disputa quem faz o truque mais espalhafatoso.

    A tal “tentativa de golpe” virou o mote do espetáculo. Uns tratam como fato histórico, outros como delírio, mas no fim é tudo combustível para a dramaturgia. Os ministros não decidem; encenam. São atores de uma novela ruim, daqueles folhetins de fim de tarde, onde a previsibilidade é tão grande que já se sabe de antemão qual será a “sentença” antes mesmo do teatro começar.

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