PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Ai das estradas onde a populaça
Vai e vem no incessante burburinho.
Cada qual vai seguindo o seu caminho,
Ninguém lhe nota a suavidade e a graça.

Mais vale ser o anônimo caminho
Que o olha das multidões nunca devassa
E cujo encanto atrai quem nele passa,
E se demora quando vem, sozinho.

Eu sou a Estrada larga e petulante
De gente, onde se vê, a cada instante,
Todo um tumulto vão de estranhas faces.

Antes eu fosse uma vereda aberta
Na mata – e quase sempre erma e deserta,
Por cuja sombra – tu somente andasses.

José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, Recife-PE (1867-1934)

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