PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Vossa boca para mim
não necessita de cravo,
que sentirá o agravo
boca de tanto carmim:
o cravo, meu serafim,
(se o pensamento bem toca)
por ele fizera troca:
mas, meu bem, não aceiteis,
porque melhor pareceis
não tendo o cravo na boca.

Quanto mais que é escusado
na boca o cravo: porque
prefere, como se vê
na cor todo o nacarado:
e o mais subido encarnado
é de vossa boca escravo:
não vos fez nenhum agravo
ele de vos dar querela,
que menina, que é tão bela,
sempre tem boca de cravo.

Colaboração de Pedro Malta

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