DEU NO JORNAL

Alexandre Garcia

Testemunhamos tempos muito estranhos. Semana passada, quando o número de mortos por Covid chegou a 500 mil, para alguns foi como chegar a uma meta almejada, como em algum torneio mundial. O vírus parece ter uma grande torcida. Na mesma semana, aparece no palco um deputado que saiu de Brasília enxotado por gente que ele enganou, foi para a Flórida e continuou enganando e depois foi eleito após enganar mais de 65 mil eleitores. No entanto, encontrou uma torcida que lhe dá crédito, como se pessoas gostassem de serem enganadas. Até quem tem o ceticismo como princípio profissional, cedeu à fraqueza da ingenuidade.

Valores são postos de lado. É como se recusássemos a memória, ter uma comissão de inquérito com Renan Calheiros como relator e Omar Aziz como presidente. Aliás, passou-se a adotar raciocínios que obliteram a razão e lógicas que amordaçam a lógica. Gente manifestamente alheia a um tema tem sido apresentada como especialista, a inventar regras. A ciência adotada é fechada como um dogma; recusa a experiência, os fatos, a dúvida. O contraditório é exorcizado com o rótulo de negacionismo.

Agora veio o caso Lázaro a continuar a lógica da inversão de valores. Significativamente, durante quase três semanas, tirou o pódio dos neo-heróis da CPI. Matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida, já vinha aparecendo como o herói que humilha a polícia. Morto, tornou-se mais uma vítima da opressão da sociedade. Para a CPI, talvez um alívio que possa trazer de volta a audiência perdida.

O italiano Cesare Battisti, asilado no Brasil, atirou num menino de 13 anos, que ficou paraplégico, e matou quatro. Lázaro matou o dobro. Battisti tinha torcida por aqui. Seria a mesma de Lázaro? Ainda bem que há uma maioria que percebe e fica indignada com a torcida que subestima a inteligência das pessoas. Essa torcida desrespeita valores das raízes de quem vive com princípios de ética, lei e ordem. Valores de gente que está ao lado das vítimas e não dos bandidos.

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