PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)

Um comentário em “A RUA DOS CATAVENTOS – Mário Quintana

  1. Estes versos dizem muito respeito ao que acontece nos dias de hoje.

    Já nos tempos de Mário Quintana haviam os urubus que faziam cancelamento e assassinato de reputações.

    Seria dessas aves de rapina que o poeta falava?

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