PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A noite abriu, em céu estranho,
para adorá-las e querê-las,
um turbilhão tonto de estrelas,
lindas ovelhas de um rebanho.

O luar – pastor lírico, em breve,
surge e, apontando o seu cajado,
vai por montes e colinas de neve
guiando o rebanho mágico e doirado…

Mas uma ovelha tresmalhada
perdeu-se. O luar, em cólera, se espelha:
– Onde andará aquela ovelha
de olhos verdes, a mais amada,
de boca a mais vermelha?

“Onde andará?…” De serra em serra:
“Onde andará?…” Ansioso, avança,
como um doido pelas alturas…

E ela tranquila, aqui na terra,
com o nome lindo de Esperança
iludindo e matando as criaturas…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

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