
Nosso “dinheiro” na infância inocente – R$ 100,00.
Ao alcançar a “terceira idade” fiz uma análise, lúcida, do que seja a vida. Não é apenas uma dádiva divina mas, também, uma atribuição dada pela entidade que nos criou, independente dos estágios de espermatozoide e intrauterino em gestação.
E, como escrevi acima “terceira idade” me permiti entender que a “velhice”, entre essas três é a última. Assim, o raciocínio lógico também me permite entender que, a “infância” é a primeira.
A infância é o início da provação, digamos assim. A juventude ou a maturidade – ficando essa ou aquela no meio da vida – passa a ser, por lógica, a vida consciente em si.
Hoje volto aqui, para louvar, reconhecer e agradecer à Deus e aos meus pais, sem deixar no esquecimento a geração que me “abrigou” pela infância pura e inerente ao desenvolvimento vivida em Queimadas e Fortaleza. Vou falar de dinheiro. Das coisas boas que ele (o dinheiro) proporciona e das maldades transformadas em “casacas de banana” que ele nos envolve.
E começo dizendo que, para mim e minha ingenuidade momentânea, meus primeiros dinheiros foram as carteiras de cigarros vazias que pegava nas coxias (o espaço construído para delimitar o asfalto da calçada de pedestres) das avenidas.
Durante tempos indaguei à mim mesmo, o “por quê” daqueles dinheiros estarem sempre naqueles locais (coxias). Com o passar do tempo, entendi que os fumantes que dirigiam seus carros de passeios, sem a educação necessária, ao esvaziar aquela carteira, em vez de guardá-la para colocar no lixo de forma adequada, jogava “na rua” e o vento a levava para a coxia.
A marca “Continental” valia, digamos, R$100,00. A marca americana Pall Mall, pela raridade, valia R$1.000,00!
Fácil entender que, Continental, de relativo valor para o poder aquisitivo do fumante era mais consumido. O Pall Mall, importado e consumido com facilidade apenas por conta do contrabando – tanto quanto o Camell – tinha menor consumo.

Nosso “dinheiro” na infância inocente – R$ 1.000,00
Em casa, nosso dinheiro era outro, e podíamos usá-lo para comprar cocadas, pirulitos, picolés, pão-doce, quebra-queixo e figurinhas de álbuns de artistas do cinema ou jogadores de futebol.
Tínhamos, claro, nosso “miaeiro” ou “porquinhos” onde juntávamos nossas moedas. As moedas em papel, juntávamos num caixote vazio de charutos Suerdick.
Lembro bem que, eu – pelo menos, eu – ficava sentado no portão de entrada de casa, com o gato, esperando o Pai chegar. E ele, o Pai, sabia o que eu ficava fazendo ali. Do bolso pequeno da frente da calça, ele sacava uma moeda, me entregava e encerrava a minha “vigília”.

Meu primeiro dinheiro na formação do milhão de nada
Confesso que, dinheiro nunca foi para mim a coisa mais importante. Nunca valeu mais que a dignidade – e existe, sim, para ser gasto, proporcionando algo que não pode ser adquirido gratuitamente. Mas, para o amor, o favor, a ajuda através do desprendimento pessoal de cada um, o dinheiro não vale realmente nada. Ou, vale tanto quanto valia aquele dinheiro imaginado e estabelecido pelas notas de carteiras de cigarros vazias.
E, sabe que justificativa tenho para isso?
Minhas tias Zulmira, Dedé e Margarida, depois de muito trabalhar, conseguiram aposentadorias. Dedicadas ao trabalho em demasia, por motivos que desconhecíamos, não namoraram. Sem namorar, morreram virgens da prática sexual. Somatório disso: não tiveram filhos.
Adquiriram o hábito de comprar charutos, que davam de presente ao meu pai, irmão delas. Compravam também, sabíamos, apenas para esvaziar as caixas e usá-las como “cofres”. Tinham uma parte de um guarda-roupas grande reservada para aqueles caixotes de charutos onde guardavam o dinheiro. Não confiavam em bancos.
Quando morreram – as três – os parentes foram abrir os caixotes e descobriram que toda aquela dinheirama não valia mais nada. Já circulava outro tipo de moeda.
Deduzo: dinheiro é para gastar.

Muitos com mais de 50 anos de idade lembram dessas cédulas
Infelizmente, nos dias atuais, homens e mulheres vivem pensando que o dinheiro, a moeda, tem mil e uma utilidades, além da precípua de “pagar uma compra”. E, felizmente, não é tudo que o dinheiro compra – mas, infelizmente, tem comprado muitos valores morais de pessoas que vivem no nosso meio, como se humanos fossem.
Cruzeiro, cruzado, cruzeiro novo, real – alguns significados da moeda circulante brasileira. Desvalorizada, coisa inerente a país “tupiniquim”, precisamos de muitos reais para competirmos com o dólar, o euro ou a libra.
É, entendo, uma eternização do tempo dos “réis”.
Com alguns enfoques antigos, contando passagens e casos correlacionados, produzi 40 (quarenta) contos que estão reunidos num livro – “Quarenta contos de réis” – esperando cair alguma moeda dos céus para custear a impressão.

Capa do livro “Quarenta contos de réis” de minha autoria
Rsrsrsrs! Já fui rico com dinheiro de cigarro Continental, Astória, Consul, etc.
Beni, quando apareceu a cédula “nova” do Minister, todos corriam atrás, como corremos hoje atrás da nota de R$200,00! Kkkkkkkkk
Juntava notas de Minister, Eldorado, Astoria, Continental e outros. Bons tempos.