A mídia brasileira adora se definir como “imprensa livre”. Livre de quê? Do povo. Porque do poder econômico, político e institucional, ela é profundamente dependente. Não morde a mão que banca.
Lambe.
1. Seleção de Idignação
A mídia não mente o tempo todo. Ela faz algo mais eficaz: seleciona. Escândalo de uns vira: manchete, plantão e editorial indignado. Escândalos de outros viram nota discreta, rodapé e “contextualização”. Isso não é jornalismo. É curadoria ideológica disfarçada de neutralidade. Orwell pisaria duro: “O que não é noticiado simplesmente deixa de existir.”
2. O Jornalismo de Comunicado
A mídia brasileira abandonou a investigação e abraçou o release. Reproduz: notas oficiais, decisões judiciais, falas de autoridade sem perguntar por quê?, para quem? e a quem interessa, pois questionar dá trabalho, enfrentar poder dá processo e processo não paga anúncio. Millôr não teria piedade: “Aqui, a imprensa é livre desde que não use a liberdade.”
3. O Medo de Parecer Radical
Nada apavora mais a mídia brasileira do que ser chamada de “radical”. Então ela se equilibra eternamente no centro frouxo porque relativiza abusos, suaviza injustiças, normaliza absurdos, tudo vira “polêmica”, tudo vira “narrativa” e tudo vira “os dois lados”… Até quando só há um lado errado.
4. O Povo Como Plateia; Não Como Sujeito
O cidadão não é fonte. É audiência. Pois serve para clicar, compartilhar, consumir indignação pré-fabricada. Mas nunca para pautar de verdade. A mídia fala sobre o povo. Raramente fala com o povo. E quase nunca fala a partir do povo.
Conclusão da Mídia
A mídia brasileira não é vilã de novela. É pior: é coadjuvante confortável, porque ela não cria o sistema; ela o normaliza; Não decide os rumos, mas aplaude os atalhos; Não governa, mas, ensina a aceitar. E um povo que aprende a aceitar tudo não precisa ser reprimido. Basta ser informado do jeito certo.
Fechamento Final (Sem Desculpas)
Elite política, Judiciário e mídia formam no Brasil um triângulo perfeito de autoproteção: Um decide sem ouvir; outro legitima sem explicar e o terceiro narra sem questionar. E o cidadão? Paga. Espera. E ainda pede desculpa por desconfiar. Mas quando a lucidez chega — quando o discurso falha — quando a toga perde o brilho — quando a manchete não convence — o sistema não desmorona com barulho. Ele apodrece em silêncio. E isso, meus caros, é o começo do fim de qualquer farsa bem-sucedida.
BRÉSIL LADEIRA ABAIXO?
Na vitrola o vinil (ou Long Play -abreviatura LP-, ou coloquialmente bolachão) tocando Legião Urbana: Que País É Este.
MAURINO JÚNIOR ensina: Quando o discurso falha — quando a toga perde o brilho — quando a manchete não convence — o sistema não desmorona com barulho. Ele apodrece em silêncio. E isso, meus caros, é o começo do fim de qualquer farsa bem-sucedida.
A brilhante crônica (MAURINO JÚNIOR – SEM CRÔNICAS) conduz os cansados olhos e ouvidos que já pouco ouvem, desta anciã octogenária, até o FALAR do velho Garotinho (DISPONIVEL no YOUTUBE: Anthony Garotinho, ex-deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro, participou de um podcast, onde revelou como o “sistema” brasileiro funciona e como esse esquema se relaciona com o caso Master).
E termino ouvindo Cazuza (que menino brilhante era. Eterno está pela obra que deixou): “E as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos. Tão barato que eu nem acredito”.
Professoral Maurino, que bom te ter aqui a engrandecer as “letras bertianas” desta maravilhosa gazeta.
Um fraterno beijo,
Matilde Urbach
Fico extremamente lisonjeado com suas palavras. Seria muito bom que o meu texto fosse exaltando a mídia; não dá, infelizmente. A realidade é ainda bem pior. Saudações cordiais aqui de Paulo Afonso, Bahia.