Juliano, um orgulhoso Rei de uma belíssima cidade, almoçava tranquilamente, quando viu sobre a mesa uma pequena e inofensiva formiga, perto do seu prato.
Como se falasse ao mais humilde servo, exclamou:
– Como ousas, desprezível formiga, andar sobre a mesa de Juliano o Grande Rei?
A formiga, nem sequer tomou conhecimento das palavras reais, ocupada como estava, em carregar sobre as costas um minúsculo pedaço de pão. Um formigueiro inteiro a aguardava.
– Então, não paras? Não me obedeces? Pois, então, morrerás! – Falou o odioso Rei.
Dizendo isto, ergueu o braço para esmagá-la, mas, com tal brutalidade que, ao levantá-lo, derrubou uma terrina de sopa quente. Furioso, pôs-se a procurar a formiga, para efetuar sua vingança imediatamente.
Não a encontrando, e dominado pela ira, virou a mesa, espalhando sobre o chão todas as iguarias, na tentativa de atingir a pobre formiguinha.
Atraídos pelo barulho, todos os criados tentaram contê-lo, mas o rei, furioso, atirou sobre eles um enorme castiçal. Este, porém, atingiu uma cortina, inflamando-a. Deu-se início a um grande incêndio, que, em segundos, se alastrou por todo o palácio real.
Tentaram extinguir o fogo, mas ele se propagou rapidamente, uma vez que a sala era forrada com tapetes persas e veludos da Turquia.
Em uma hora, todo o palácio estava em chamas. Como houvesse uma grande ventania, o fogo tomou conta dos prédios vizinhos.
Uma cidade inimiga sabendo do ocorrido, mobilizou seu exército, o qual, depois de um pequeno cerco, dominou a cidade de Juliano, o Grande Rei. O povo só pensava em fugir do incêndio que tudo devorava e destruía.
Enlouquecido, o rei tentava escapar, sob delírios, esbravejando impropérios contra a pobre formiga, e jurando matá-la.
Depois de algumas horas, o incêndio ainda ardia, e o povo enlouquecido fugia da cidade.
O rei conseguiu sobreviver, mas perdeu o juízo (que nunca teve), e seu palácio banhado a ouro.
O Rei enlouqueceu e tornou-se um mendigo.
Ao lhe perguntarem a causa da sua desgraça, laconicamente, ele respondia:
– Uma formiga…uma formiga destruiu todo o meu império!
Ninguém acreditava…
Belíssima alegoria minha nobre amiga Violante. Para reflexão, gaudio e seriedade….o Rei Juliano de Moraes está louco. Daqui a pouco esse fogo vai ficar incontrolável.
a d i v i n h ã o ! ! !
Obrigada pelo comentário gentil, prezado Roque Nunes!
Esse rei louco nos faz lembrar de Nero, o incendiador de Roma.
Nero (Nero Cláudio César Augusto Germânico, 37-68 d.C.) foi um jovem imperador romano, que subiu ao poder em 56 d.C., aos dezessete anos, e governou até o ano de 68 d.C., quando faleceu.
Grande abraço!
Violante,
A sua crônica demonstra o quanto o poder pode trazer consequências trágicas para quem não está saudável. Sua metáfora não é um absurdo porque a história da humanidade prova a insanidade de figuras que, infelizmente, entrararam para ridicularizar sua passagem por essa existência. O seu ótimo texto fez lembrar-me de uma frase do Prof. Albert Schweitzer (1875-1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário: “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.”
Desejo um final de semana com paz, saúde e alegria!
Aristeu
Obrigada pelo excelente comentário, prezado Aristeu!
Gostei muito da sua reflexão sobre o valor da consideração e respeito que o ser humano deve ter ao seu próximo, inclusive a um animal, por menor que seja a sua espécie.
Um rei que não respeita seus súditos nem os animais, está fadado ao fracasso, ou à loucura, pois quem semeia vento colhe tempestade.
Nero é um exemplo da história antiga, que prova que nem todos os homens estão preparados para exercer o poder. Uns chegam a enlouquecer, ensandecidos pelo poder. Tal qual o Tio Patinhas, tomam banho de dinheiro e só veem “ouro” em sua frente. Para eles, ninguém tem o seu poder e esquecem que todo homem é finito, não importando a classe social que ocupe. E desse modo, praticam atrocidades contra o seu semelhante e até contra os animais, como uma formiguinha.
Muito verdadeira, a frase citada por você, do Prof. Albert Schweitzer (1875-1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário: “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.”
Nero foi imperador romano de 54 a 68 d.C. O último dos júlio-claudianos a governar, seu reinado de 14 anos representa toda a decadência daquele período da história de Roma. Ele era autoindulgente, cruel e violento, bem como um exibicionista cross-dressing [que se veste como o sexo oposto].
Sim, pode-se dizer que Nero pertence à história antiga. Nero Cláudio César Augusto Germânico, mais conhecido como Nero, foi o quinto imperador de Roma e governou entre os anos 54 e 68 d.C. Ele é uma figura marcante da história antiga, especialmente devido à sua reputação de tirania e excentricidade.
Desejo a você um ótimo final de semana, repleto de alegria, saúde e inspiração!