XICO COM X, BIZERRA COM I

Que diabo tão zoadento é o silêncio! Será apenas o descanso do barulho ou a cama vazia do filho que não se vê, há um bom tempo? Talvez o abraço não dado no neto que mora longe seja sinônimo do silêncio. Assim como o grito confinado na garganta, a quarentena da voz. É a saudade gritando tão alto que nem o mais atento dos monges consegue ouvir. Quem sabe, um verso quebrado, uma rima torta, uma nota musical sem companhia ou um poema inconcluso?

POUCO TUDO E MUITO NADA

O silêncio é a ausência do tudo, a abundância do nada, a tristeza líquida escorrendo dos olhos, o isolamento do beijo, a impossibilidade do abraço. É a canção calada, a mudez da festa, o não-cantar de um passarinho sem ter um arrebol em que pousar. É o ‘eu te amo’ guardado nas gavetas do esquecimento ou nos armários empoeirados do adeus. Silêncio é tudo que não quero.

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5 pensou em “A INCÔMODA ZOADA DO SILÊNCIO

  1. Meu caríssimo Padre José Paulo,
    Talvez nem todo silêncio seja triste. Alguns podem ter o seu fascínio, os seus mistérios. Estaria certo Max Ehrman, na sabedoria do seu poema ‘Desiderata’?
    ‘Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio! ‘. Receba meu abraço Capibareano. XICO BIZERRA

  2. Caríssimos Assuero e Magnovaldo, honra-me tê-los entre os leitores de minhas baboseiras e besteiragens.
    Seus comentários, estes sim, mexem com minh’alma toda ouvidos, silenciosamente. Abraço

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