Aprendemos na escola que a história se divide em Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Eu nunca gostei dessa classificação, por ser muito voltada à Europa ocidental para algo que deveria ser universal, e porque é uma classificação datada; afinal, toda época é contemporânea de alguma coisa. Além disso, pressupõe um conjunto fechado: o que virá depois da idade contemporânea?
A discussão se torna importante porque eu acho óbvio que estamos em um quinto período. Vamos relembrar os anteriores para entender:
A Idade Antiga se caracteriza pelos grandes impérios. É uma visão eurocêntrica, que ignora o mundo além dos domínios romanos, gregos ou persas. Seu marco final é a queda do último imperador de Roma, Rômulo Augusto, em 476.
Seguiu-se a Idade Média, que ao contrário da anterior se caracterizou pela descentralização. Com o fim do poder de Roma, a Europa se dividiu em centenas de pequenos feudos, cada um governado pelo seu príncipe, duque ou conde, com pouca interação entre eles. O comércio diminuiu e durante cinco séculos o progresso tecnológico foi mínimo. Somente por volta do século 10 é que o comércio e a interação entre as diferentes comunidades voltou a crescer.
A Idade Moderna tem como marco inicial mais comum a queda de Constantinopla em 1453, embora alguns autores prefiram outros eventos como a viagem de Colombo em 1492 ou a reforma protestante em 1517. De qualquer forma, este período se caracteriza pela “globalização” que interliga Europa, América, Ásia e África através do comércio e do estabelecimento de colônias (o interior da África só participaria deste processo séculos depois). Politicamente, os pequenos feudos perdem importância e o poder se centraliza nos grandes estados nacionais.
Um fator comum nestas três épocas é a divisão social entre nobres e plebeus. Os primeiros exercem o poder, promovem guerras, constroem castelos, conquistam e perdem territórios. O restante da população apenas trabalha e sobrevive; do que produzem, ficam apenas com o mínimo necessário para não morrer, o resto é tomado na forma de impostos.
A Idade Contemporânea, que tem como marco inicial a Revolução Francesa (1789), nasceu junto com o iluminismo. Foi nessa época que as pessoas comuns deixaram de ser apenas mão-de-obra e passaram a ser vistas como indivíduos. A justiça, por exemplo, deixou de ser simplesmente a vontade do rei e passou a ser estabelecida por leis. A Revolução Industrial trouxe uma abundância sem precedentes para o cidadão comum, e pode-se dizer que o século 19 viu mais mudanças do que qualquer outro na história. Por volta de 1800 uma casa de classe média era iluminada por velas ou lampiões de óleo, e a única máquina existente era talvez uma roca de fiar lã. Viagens eram feitas a cavalo e o único meio de comunicação era a carta. Cem anos depois, havia fonógrafos, fogões a gás, máquinas de costura, lâmpadas elétricas, automóveis, trens, telégrafos. O comércio internacional cresceu enormemente. Mas, voltando ao início do parágrafo, o mais importante é que pela primeira vez o progresso beneficiava principalmente o cidadão comum e não a elite governante.
E é aí que tudo se complica. Os otimistas gostam de ver esse progresso existindo até hoje, falando em “conquistas sociais”. Para eles, o mundo continua melhorando. Para os pessimistas, como eu, a coisa não é bem assim.
Terminado o século 19, a Primeira Guerra Mundial mostrou que o povo continuava correndo o risco de morrer em um campo de batalha simplesmente porque alguns reis ou presidentes não tinham nada melhor para fazer. E quando a guerra terminou, os antigos costumes do feudalismo, onde as pessoas eram tratadas como propriedade pelos poderosos, voltou com nova roupagem: o regime de servidão mudou de nome para nacionalismo; a obediência ao rei virou obediência ao governo, e a justificativa deixou de ser o “direito divino” e passou a se chamar “contrato social” ou “estado democrático de direito”. A obrigação de pagar impostos, essa não mudou muito, só aumentou em variedade e em quantidade.
Além da Primeira Guerra, outros fatos poderiam ser escolhidos como marco final da Idade Contemporânea: a Grande Depressão em 1929, o fim do padrão-ouro em 1971 ou o anúncio oficial de que o governo se concedeu o direito de fazer o que quiser em nome da “segurança nacional”, após o 11 de setembro de 2001.
Mas nada se compara ao que aconteceu entre 2020 e 2022, no período conhecido como “a pandemia”. Foi quando a população do mundo renunciou a seus direitos de adulto e declarou que prefere viver como criança, sendo cuidada pelo papai governo. O governo declarou que era preciso evitar aglomerações, e para isso iria limitar o horário de funcionamento dos supermercados e reduzir o número de ônibus, e a população apoiou. A OMS declarou que não adiantava usar máscaras, mas um mês depois disse que todos deveriam usar máscaras, e todos não só obedeceram como transformaram o uso em motivo de orgulho, talvez em um reflexo atávico dos tempos em que tampar a boca era o tratamento dado aos escravos como símbolo de sujeição.
Nessa época, governos do mundo inteiro disseram que iriam ignorar todos os protocolos sobre testes e certificações de novos medicamentos, e que iriam usar o dinheiro público para adquirir, a qualquer preço, vacinas que não haviam sido testadas, e cujos fabricantes declaravam explicitamente que não assumiriam nenhuma responsabilidade em caso de efeitos colaterais indesejados. Os governos ainda ordenaram que a população deveria não apenas receber essas vacinas não testadas, mas acreditar que “a ciência” garantia que elas eram seguras; quem duvidasse deveria ser xingado de “negacionista” ou “terraplanista”. A população obedeceu alegremente.
Governos do mundo inteiro declararam que, em nome do “bem comum”, eles poderiam fazer o que quisessem, e que coisas como Liberdade de Expressão, Direitos Individuais ou Segurança Jurídica eram coisas antigas, fora de moda e perigosas. O povo aplaudiu, agradecido, e pediu mais.
Nesta Idade Pós-Contemporânea, as pessoas não têm mais noção própria do que é verdade; ao invés disso, a mídia informa aquilo que o governo determinou que é verdade, e todos se sentem confortáveis em acreditar. Em nome de uma certa “democracia”, todos gostam daquilo que todos devem gostar e têm medo daquilo que devem ter medo – discordar da maioria, por exemplo.
Algum dia, talvez tenhamos um novo Iluminismo, e as pessoas (ou pelo menos algumas delas) voltem a acreditar que possam pensar por si mesmas. Ou antes disso teremos uma guerra nuclear e uma nova Idade Média.
Excelente texto, Marcelo.
O nome dos tempos atuais deveria ser Idade Relativa.
😂😂😂😂😂
Boa idéia.
Ou quem sabe, Idade do Veja Bem.
Você está um completo negacionista da pandemia que 7 bilhões de pessoas presenciaram, criticando o governo sendo que nem você sabe como comandar um trabalho de escola.
Criticou o uso da máscara na pandemia alegando:
“A OMS declarou que não adiantava usar máscaras, mas um mês depois disse que todos deveriam usar máscaras, e todos não só obedeceram como transformaram o uso em motivo de orgulho, talvez em um reflexo atávico dos tempos em que tampar a boca era o tratamento dado aos escravos como símbolo de sujeição.*”
Há fins de curiosidade, a pandemia em 2020 e 2021, matou 1,8 bilhão de pessoas**.A população mundial em 2019 era de aproximadamente 7.775 bilhões de pessoas.***
Seu embasamento além disso tudo já citado não consta fontes, sendo ele impróprio para estar no Google ou em qualquer outro browser. Então peço a você que tire essa página da web, se não irei denunciar e serão aplicadas as medidas cabíveis****.
*Fonte de pesquisa que você usou?
**Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/36308-em-2021-numero-de-obitos-bate-recorde-de-2020-e-numero-de-nascimentos-e-o-menor-da-serie#:~:text=O%20n%C3%BAmero%20de%20%C3%B3bitos%20cresceu,o%20ano%20anterior%2C%20desde%201974.
***Fonte:https://www.terra.com.br/noticias/populacao-mundial-chega-a-775-bilhoes-em-2019,642e63902627ef2d2cd474d2b28845b71kdzn79z.html#:~:text=N%C3%BAmero%20de%20habitantes%20do%20planeta,segundo%20estimativa%20de%20funda%C3%A7%C3%A3o%20alem%C3%A3.
****Fonte:https://www.jusbrasil.com.br/artigos/espalhar-boatos-ou-noticias-falsas-nas-redes-e-crime/634828418