MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

As origens do São João remontam às festas juninas europeias, trazidas pelos colonizadores portugueses durante o período colonial. No Nordeste, a festa ganhou características próprias, com destaque para o forró, o xote, o baião e o arrasta-pé e as cidades de Caruaru-PE e Campina Grande-PB, protagonizam uma festa digna de entrar no livro dos recordes. Caruaru é considerada a capital do forró e argumentos tem demais para isso.

Sem medo de errar, a gente pode dizer que o São João se equipara ao Natal e no caso de Caruaru há uma junção de religiosidade, dança, música, gastronomia e artesanato que fazem dessa festa uma das maiores manifestações culturais do povo nordestino e, a cada ano, cresce o número de participantes e se fortalece a economia local/regional.

Ano passado, a estimativa de receita decorrente do São João estava perto do R$ 690 milhões e os dados divulgados pelos órgãos oficiais registravam ocupação hoteleira plena. No que diz respeitos ao público, falava-se de quase 3,7 milhões de pessoas dos quais 1,5 milhão era turistas, prestigiando a festa que, geralmente, começa – formalmente – na última semana de maio e termina na primeira semana de julho. Este ano, até mesmo impulsionado pelo efeito inflacionário, acredita-se que a receita oriunda da festa chegue aos R$ 750 milhões, ou seja, descontando a inflação, essa receita representaria um acréscimo de 3,5% em relação a 2024. Bom para Pernambuco.

Se for analisar por setor de atividade, os resultados são extremamente promissores. Começando a com rede hoteleira. Se contabilizar hotéis (independente do número de estrelas), hostels, pousadas, apartamentos por temporadas, Caruaru deve ofertar, aproximadamente, 1000 opões com ocupação pelo valor da diária de uma hospedagem, observa-se um aumento relativo em a 2024, de modo que isso impulsiona também cidades como Gravatá e Bezerros, pela proximidade. Ou seja, o turista procura fugir de preços mais altos em Caruaru e busca alternativas nas cidades vizinhas.

A gastronomia além de envolver bares e restaurantes conta com vendedores ambulantes ofertando comida típicas como milho verde, pamonha etc. que são consumidos de forma imediata. Segundo dados divulgados pelos órgãos locais, há mais de mil autorizações temporárias para comércio de rua. Além disso, o impacto será no transporte tanto público quanto a rede de taxis ou aplicativos, estes, obviamente, aumentarão os preços dos deslocamentos. Não devemos esquecer que Caruaru é base da indústria têxtil de Pernambuco, fato que tem impacto no comércio varejista e do ponto de vista do entretenimento, a quantidade de artistas que são contratados, de modo que há oportunidades para empregabilidade indireta.

Não há dúvidas que o São João e um dos melhores e maiores eventos econômicos para a região do Agreste pernambucano. Basta considerar que estamos no fim do primeiro semestre do ano e, por isso, no ponto divisor de água para a sustentação econômica para os próximos seis meses. Não há mais um evento desse porte para impulsionar a economia, por isso a importância do São João. Agora, é desafiante para cultura pernambucana encontrar alternativas.

Além desse impacto econômico, o São João tem um papel fundamental da cultura regional, pois contribui para a preservação de tradições musicais nordestinas, como o forró de raiz e o trabalho de artistas locais. Muitos músicos e bandas regionais têm no período junino sua principal fonte de renda anual, com shows em várias cidades. Não se pode deixar de citar o FORROBOXOTE. Eu estava aqui imaginando: quantas vezes “Se tu quiser” foi tocada nessa festa? Se o nosso bom Xico Bizerra não tem esse dado, acho que seria bom a gente pensar numa forma de mensurar.

11 pensou em “A ECONOMIA NO SÃO JOÃO

  1. Assuero, querido, no palco principal, vitrine pro Brasil, duvido que tenham tocado/cantado Se tu quiser. Confesso que das vezes que acompanhei pela televisão só tinha fuleiragem, e desisti de tentar mais vezes, mas , de repente alguém se lembrou dessa pérola do poeta Xico Bizerra. Forró mesmo, da minha época com trio nordestino, Elino julião, Marinês, Jackson, Gonzagão e outros, nem pensar. Apesar de que ocorreram eventos em Vilas próximas a Caruaru e aí, sim, tiveram tradição, segundo fui informado pelo coquista seguidor de Jacinto Silva, principalmente. Mas…é a “evolução” Muito bom essa sua ilustração sobre as finanças pena que , com certeza ,é a justificativa para essa contratação milionária de artistas que nada têm a ver com a nossa cultura. Como já disse: é a evolução! e eu continuo analógico com minhas fitas k7, cds, dvds e blurays. Istrimi aqui…nem em pensamento

    • Tem uma polêmica em relação a isso. Elba Ramalho já fez um comentário sobre isso e acho que tem razão. Agora, eu não creio que Flávio José, Petrucio Amorim ou Santana , deixem essa música fora das suas apresentações

  2. Caro Assuero, sou do interior e do tempo do famoso pé de bode, aqui na minha região, sou das Alagoas, era uma tipo de instrumento menor que a sanfona oito baixos,hoje os artistas que se apresentam nesses eventos, não trazem a essência verdadeira que vivenciei, até às quadrilhas dos dias atuais, mudaram demais.

  3. Amado professor Maurício Assuero, parabéns pelo texto. A região do agreste pernambucano e todo Estado, Siga no caminho do desenvolvimento para felicidade da nossa gente.

  4. Caros Amigos ,
    sinceramente, pouco me importa a quantidade de vezes que tocou SE TU QUISER nos festejos juninos. Interessa, muito mais, a descaracterização da tradição, da cultura, a distorção dos cachês milionários em detrimento dos verdadeiros defensores de nossa cultura e em benefício dos promotores e governantes municipais. Lamento a ausência e omissão do Ministério Público e dos órgãos que deveriam investigar a destinação de recursos púbicos, inclusive de emendas parlamentares, que permitem pagar cachês de até $1.200.000 a artistas como Safadão, Esticado, Alok, dentre muitos outros.
    Argumentos utilizados – movimentação econômica no período, atendimento ao que o povo quer etc – não resistem a mais superficial análise se levado em conta os aspectos culturais e da tradição. Desculpem, mas é como penso. Triste que assim seja, mas assim é.

  5. Mossoró tem se tornado o destino de muita gente atrás de forró e São João.
    Ainda não tem a fama de Caruaru ou Campina Grande. Mas já possui o vezo de contratar gente para se apresentar cantando algum barulho que nada tem a ver com a tradição do São João do Nordeste Brasileiro.

  6. Xico, grande poeta e a quem muito admiro. Infelizmente é uma realidade que não tem mais volta. O esquema é muito “mais maior de grande”. Outro dia conversando com um entendido , mesmo, de música, e que não nomino por ter se tratado de uma conversa mais ligeira do que rapidamente e apenas o conheço mas sem muita intimidade,foi curto e objetivo: são as Bets que estão por trás do esquema. Acredito, pois o que tem de gente ruim cantando e fazendo” sucesso” não tá no gibi. Sinceramente, eu não acredito mais em volta. Digo mais, dessa turma que ouve música hoje, poucos sabem sobre Gonzagão, e seus seguidores. . É daí, daqui, d’agora…pra pior. Infelizmente!

  7. A propósito, e a título da aberração a que se chegou. Vi, há pouco, os escolhidos por um determinado site para a final do melhor dos eventos de Caruaru: Priscila Sena, do brega, e Wesley Safadão. Dizer o que sobre isso? PQP! Pois Que Passem e vão pros quintos do inferno musical.

  8. A história do cachorro é bastante conhecida: ele adora um osso, pois só isso lhe dão. Dêem-lhe um filezinho e ver-se-á o que ele prefere. Não se pode gostar do que não se conhece. Infelizmente é assim que a sanfona toca.

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