DEU NO JORNAL

Luís Ernesto Lacombe

André Lara Resende juros

André Lara Resende (em foto de 2016) propôs redução forçada dos juros

A campanha eleitoral acabou… A derrota do Brasil é imensa. O que já era um desastre ficou pior ainda. Nenhuma surpresa nisso. Se o TSE não foi capaz de tocar o processo de cassação da chapa Lula-Alckmin, por abuso de poder político e econômico, o resultado agora é a quebradeira geral. O PT ainda faz um jogo de cena. O presidente do partido, Edinho Silva, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, parecem fingir que aceitam a necessidade de se fazer uma contenção de gastos, um ajuste fiscal. O coordenador do programa de governo da campanha de Lula à reeleição, José Sérgio Gabrielli, fica no meio do caminho… Ele até fala num ajuste progressivo de gastos e despesas, mas endossa o plano irresponsável de, na canetada, baixar a taxa de juros e abalar a autonomia do Banco Central. E, no grupo majoritário, o que manda é o delírio completo, como se fórmulas já testadas e fracassadas pudessem, por mágica, do nada, de repente começar a dar certo.

Guido Mantega, o fatal ministro da Fazenda de Dilma, está entre os mais loucos. Ele afirmou que “o país não enfrenta uma crise fiscal” e chamou os alertas econômicos de “exagero da Faria Lima”. O regime Lula gasta mal, gasta mais do que arrecada, e Mantega quer a expansão dos “investimentos públicos”. Seus aliados, claro, são igualmente insanos. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, está dizendo que “a eleição derrotou a agenda de cortes de gastos”. Na visão ensandecida dele, “o tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”. A deputada federal Sâmia Bonfim, do mesmo partido de Boulos, o Psol, vai além. Ela defende a revogação do arcabouço fiscal, substituto matreiro do teto de gastos, e quer mais recursos para programas sociais.

Boulos e Sâmia são dados ao desapego ao mundo real, a incoerências. Não à toa, são filiados a um partido que tenta “unir água e azeite”: socialismo e liberdade… Mantega só não destruiu nossa economia porque veio o impeachment da Dilma. Sorte a dele que, como consultor do Banco Master, ganhava R$ 1 milhão por mês… José Sérgio Gabrielli presidiu a Petrobras por sete anos, período em que se deu boa parte do escândalo conhecido como petrolão. Nenhum deles tem credenciais dignas, a não ser para quem acredita em histórias da carochinha e no falso desejo dessa turma de trabalhar pelo Brasil. O problema é que a esse grupo lunático se juntou agora um dos chamados “pais do Plano Real”. É do economista André Lara Resende o plano maquiavélico de baixar os juros na canetada e criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que não se sabe como funcionaria, se a autonomia do Banco Central não fosse criminosamente derrubada.

Se André Lara Resende é mesmo um dos “pais do Plano Real”, ele agora quer partir para o filicídio, quer matar o próprio filho. Para isso, ignora completamente, por exemplo, a experiência da Turquia, que, em 2021, cortou os juros na marra, de 19% para 8,5%. O resultado foi a enorme desvalorização da lira turca e o aumento da inflação anual, de 16% para 85%. Para conter o desastre, foi preciso levar a taxa de juros ao patamar de 50%… É provável que Lara Resende despreze o “tempo que já vivemos” porque voltou a ser aquele que, em 1985, no governo José Sarney, esteve envolvido na criação do Plano Cruzado, no congelamento de preços. E, dessa forma, agora é abraçado por Lula, que, mesmo em sua campanha mentirosa, nunca considerou fazer um ajuste fiscal. Como se nossos gravíssimos problemas pudessem ser resolvidos com a derrota do fascismo imaginário. O que vem aí, tudo indica, é a destruição total do Brasil. Salve-se quem puder.

Um comentário em “A DESTRUIÇÃO TOTAL DO BRASIL”

  1. André deveria ter o nome do pai, Atolara em Rezende. Se herdasse a competência do pai, seria um escritor premiado. Sem contar que os prejudicados seriam apenas seus leitores.
    Mas para nosso azar, o destino sádico, ingrato e insensível, fez dele economista, e do bem!
    Meus Deus, ele é esquerdista, lulopetista e, acima de tudo, do bem! Eu sinto calafrios horríveis só pensar no mal que nos espreita.

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