DEU NO JORNAL

Luís Ernesto Lacombe

Um jornalista de televisão não depende dos adjetivos. Ele tem as imagens, tem o áudio. Nesse veículo, raramente a adjetivação cabe. Quando escrevo textos para serem lidos, não falados, também não sou de ficar qualificando, classificando, caracterizando… Por isso, quando penso na CPI da Covid, ainda que muitos adjetivos desabonadores se apresentem apressadamente, eu me remeto a substantivos.

O que temos, afinal, nessa comissão, que pretende apenas emparedar o governo federal, sem disfarce algum? Bizarrice, deselegância, falta de educação, grosseria, arrogância, prepotência, ameaça, intimidação, coação, manipulação, falsidade, agressividade, tirania, boçalidade, violência, palhaçada, afronta, sem-vergonhice, despudor, indecência, covardia, estupidez, raiva, ódio, ataque, desrespeito, desonra, ignorância, hostilidade, brutalidade, bestialidade, ofensa, selvageria, truculência, abuso, indelicadeza, descortesia, ferocidade, rudeza, constrangimento, opressão, imposição, aspereza, desaforo, desfaçatez, insolência, massacre, boicote.

Não é contra todos, claro, porque a CPI prima pelo desequilíbrio, pela parcialidade, pela injustiça. Para aqueles que trabalham pelas narrativas dos senadores que têm contra si uma coleção de processos, inquéritos e investigações, há outra lista de substantivos: cumplicidade, benevolência, proteção, elogio, bajulação, complacência, elegância, educação, respeito, delicadeza – os antônimos de tudo o que atiram sobre os que trazem informações e explicações indesejáveis.

Para a turma que joga com os “coroné”, há todo o tempo para falar, sem interrupções. Não tem essa de “sim” ou “não” como resposta. Simplesmente porque há um relatório pronto, todo mundo sabe, e cada palavra de apoio às narrativas será exaltada, enaltecida, estimulada. Já as palavras contrárias ao que o relatório da CPI quer impor como verdade serão interrompidas, cortadas, silenciadas, eliminadas.

3 pensou em “A CPI DOS “CORONÉ”

  1. Sou conterrâneo do coroné relator, dar vontade de vomitar ao assistir ao circo instalado para um relatório previamente escolhido, mas os brasileiros honestos e trabalhadores já tem plena consciência que é tudo politicalha rasteira e nojenta, estão tentando encontrar chifres em cabeça de cavalo

  2. O culpado pela instalação dessa tropa de desqualificados, analfabetos e mal-intencionados é o presidente do senado, rodrigo pacheco, um covarde que aceitou a imposição despropositada do ministro barroso do stf e determinou a abertura da cpi em tempo recorde, enquanto os pedidos de impeachment de ministros do stf estão há meses mofando nas gavetas do senado. Conhecendo nosso eleitorado, não vejo, a curto prazo, a remoção dessa escória do nosso cenário político. Que Deus nos proteja e que se instalem as guilhotinas. Adonis tem razão.

  3. Eu fico a imaginar a paciência do Lacombe de fazer um jornal ao lado da Amanda Klein. Ele até que tenta ser elegante, mas a menina faz de um tudo para tirá-lo do sério.

    Alguém aqui poderia dizer: – Ele sofre porque quer, porque ele é o chefe da bagaça e poderia tirá-la na hora que ele quiser.

    Pois é, aí é que está a diferença entre o progressismo e os conservadores. Na Globo e na Band, por seu posicionamento, Lacombe não teve vez. Na Rede TV, onde Lacombe dá as cartas não há este tipo de perseguição.

    Aqui no JBF também não há censura, por mais que haja discordância com as opiniões dos comentaristas. Só tem uma coisa, se apertar o play vai ter que saber brincar, aqui não tem lugar para mi mi mi.

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