MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Já tivemos oito constituições. Todas prometiam criar o paraíso, mas nunca deu certo. É que todas foram feitas pelos políticos, tendo em vista os interesses deles. A parte das bondades e dos direitos garantidos sempre foi só para disfarçar.

Se algum dia o país decidir tentar mais uma, o mais importante é deixar muito bem explicado aquilo que o governo NÃO pode fazer. E têm que ser muito explícito, senão eles juntam um “princípio” daqui com uma “interpretação” dali e acabam fazendo o que querem, como sempre. Então, só para lançar a idéia, vai aqui uma pequena parte do capítulo mais importante da futura constituição: os NÃOS:

Executivo, Legislativo e Judiciário podem chamar a si mesmos de setores, divisões, departamentos ou coisa parecida. NÃO podem chamar-se de “poderes”, porque o poder pertence à população, não à eles.

Pessoas que façam parte do governo NÃO podem ser chamados de excelentíssimos, meritíssimos, digníssimos ou qualquer outro tratamento especial que não seja o usual “senhor” e “senhora”.

Os funcionários do governo NÃO podem receber qualquer benefício que não esteja disponível para toda a população. Nada de carros oficiais, residências oficiais, planos de saúde privados ou “auxílio-qualquer-coisa”.

O governo NÃO pode aumentar a si mesmo criando novos órgãos, secretarias, departamentos ou qualquer outro nome, nem conceder novos poderes aos que já existem.

Cada órgão do governo deve seguir orçamentos previamente aprovados e NÃO pode, de forma alguma, aumentar suas próprias despesas.

O governo como um todo deve gastar apenas aquilo que arrecada e NÃO pode, não importa o motivo alegado, fazer dívidas a serem pagas pela população.

Órgãos do governo e políticos em geral NÃO podem gastar dinheiro em publicidade, e muito menos para se elogiar ou para parecer bondoso por ter feito aquilo que é sua obrigação.

O governo NÃO pode dar dinheiro público para partidos políticos sob qualquer pretexto, incluindo financiamento de campanhas.

O governo NÃO pode regular, controlar ou tabelar preços de nenhum produto ou serviço, em absolutamente nenhuma hipótese.

O governo NÃO pode fabricar dinheiro do nada. Cada moeda ou cédula fabricada deve corresponder a uma reserva em ouro, prata ou alguma moeda estrangeira de aceitação mundial.

O governo também NÃO pode proibir as pessoas de realizarem negócios usando outras moedas, se quiserem.

Se uma pessoa ou uma empresa preferir gastar seu dinheiro em um produto estrangeiro ao invés de um nacional, o governo NÃO tem nada com isso e NÃO fará nada para impedir ou dificultar essa compra.

Imitando um país mais bem-sucedido que o nosso, o governo NÃO pode limitar ou punir, de forma alguma, a liberdade de expressão, nem criar qualquer forma de censura prévia ou posterior. (para os que têm medo porque acham que palavras “machucam” ou “ofendem”, fica um conselho: cresçam)

O governo NÃO pode obrigar qualquer pessoa ou empresa a fazer parte de associações de classe, conselhos, sindicatos ou coisa parecida, nem impôr qualquer restrição por conta disso.

O governo NÃO pode se intrometer em nenhum negócio ou contrato firmado de forma livre e consciente entre duas partes e que não cause prejuízo a terceiros. Se está bom para ambas as partes, ninguém mais têm que se meter.

O governo NÃO pode dar a ninguém monopólio ou exclusividade de exercer determinada atividade.

Em resumo: o governo NÃO deve e NÃO pode achar que é o dono do país.

2 pensou em “A CONSTITUIÇÃO DO NÃO

    • Devido tamanha perfeição bertoluciana, ejá que os vemelhos não possuem projeto de governo, que seja encaminhada para a equipe da transição, que certamente colocará em vigência, a partir de 1 de janeiro tal constituição dos NÃOS, acrescida dos 10 Mandamentos, com ênfase nos mandamentos 7 e 10:

      1.º – Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
      2.º – Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
      3.º – Santificar os Domingos e festas de guarda.
      4.º – Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
      5.º – Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)
      6.º – Guardar castidade nas palavras e nas obras.
      7.º – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
      8.º – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
      9.º – Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
      10.º- Não cobiçar as coisas alheias.

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